Quantas pessoas estão sentindo nesta quarentena uma dor imensa pela perda de certas liberdades? A que você tem apego e não conseguem se livrar?

Apego: do que você não consegue se livrar (mas deveria)?

Hoje recebi um áudio da historiadora Núbia Siqueira que, apesar de brasileira, está residindo em Portugal.

Nele, ela traz uma reflexão com diversos exemplos sobre o apego a coisas e pessoas que nos faz dependentes, mas não deveriam.

Uma das coisas é o apego a itens sem sentido. Quem nunca?

Roupas velhas ou cacarecos que não têm nenhum uso, mas dos quais não conseguimos nos livrar.

Lembro-me de coisas que aconteceram quando comprei a casa em que moro.

Por uma coincidência, a pessoa que estava vendendo a casa buscava um apartamento igual ao que tínhamos, então propusemos dá-lo como entrada.

Resumindo: ele se mudou para o nosso apartamento e nós para a casa dele, pagando a diferença.

Mas o que aconteceu foi que, uma negociação super simples levou três meses até se concretizar.

Ele simplesmente não consegui sair da casa…

A cada semana ele prometia sair na semana seguinte e, chegando na véspera, dava outra desculpa.

Nisso, fiquei três meses com todas as minhas coisas encaixotadas e as roupas em malas…

Imagine o transtorno!

Nós não tínhamos ideia do motivo que ele adiava, mas acabamos descobrindo que ele estava tão apegado que não conseguia sair.

Para piorar, quando finalmente nos mudamos, ele aparecia dia sim, dia não, para retirar coisas da casa que não era mais dele.

Em uma ocasião veio com uma chave de fenda retirar os puxadores dos armários porque “sentia falta” deles.

Em outra apareceu com um grifo para retirar um filtro de água da cozinha.

Até as plantas que ele mesmo pediu para deixar porque não cabiam nas varandas do apartamento ele se arrependeu e vinha buscar cada dia um vaso…

Para encurtar a história, até lâmpadas comuns ele desenroscou dos soquetes e levou embora!

Imagine a minha cara quando percebi que ele (que disse ter vindo apenas “ver a casa”), tinha levado as lâmpadas!

Aciono o interruptor e nada… escuro total…

Pego uma lanterna e vejo que a criatura teve a cara de pau de subir em uma escada para retirar a lâmpada e ainda deixar todas as provas do crime!

Eu não sabia se sentia raiva ou pena….

De qualquer forma, depois da décima “visita” – sim, eu tive toda essa paciência – não o deixei mais entrar.

Simples assim, mas ele quase surtou.

Como ele ficaria sem entrar na casa “dele”???

É muito triste ver uma pessoa que não consegue desapegar do passado ou do que tinha e que não tem capacidade de avaliar e apreciar o que tem.

Muitos supervalorizam coisas que não trazem nenhum benefício a elas e vivem presas sem nem saber o motivo.

 

Desapegar é preciso!

Por isso, se você percebe nesta quarentena que está sofrendo por sentir demais a falta de algo, avalie se isso é mesmo importante.

Será que você valoriza demais o tom do seu cabelo e está entrando em parafuso por não poder sair para retocar a cor?

Ou você resumiu a sua existência à empresa na qual trabalha e agora que não pode ir perdeu até o rumo da vida?

Quando aquilo que nos distrai é tirado de nós, não significa algo negativo.

Ao contrário! É a chance que temos de nos reavaliar e mudar.

Desapegue de amizades tóxicas.

Doe aquilo que tem sobrando em casa e ninguém usa. Quantos podem estar precisando?

E tem mais: não importa se a pessoa a quem você der não dê o mesmo valor que você dá.

Há muita gente que diz que não gosta de doar porque os outros não sabem quanto custou etc.

Mas importa a você aquilo que você faz e as suas intenções, as dos outros importam a eles mesmos.

Enfim, valorize mais o que realmente tem valor e desapague do resto!

 

 

Informações sobre o curso Gerenciando a Si Mesmo

Agora você pode adquirir módulos separados a um custo bem reduzido. Confira clicando em SAIBA MAIS.

 

Leia os posts anteriores:

Quando a guerra estoura

Fuja da hipocrisia

Fake news, em que acreditar?

Não há empatia, apenas discurso

Afaste-se do que lhe faz mal

Vamos fazer a diferença

Quarentena na real – só a verdade

Você não está só

 

 

Jornalista, especialista em finanças e autora de 5 best-selleres. Colunista do portal R7 e apresentadora do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

  • Boa tarde Patricia
    Realmente as pessoas se apegam demais a bens materias e esquecem q o mais importante é a nossa vida diante do nosso Deus todo poderoso.
    E nessa quarentena algumas pessoas qd se encontram nessa situaçáo ,ficam desorientadasaté mesmo com problemas pscológicos.
    Precisamos nos apegar mais com Deus e esquecer um pouco dessavida terrena q so tras difivuldades e tribulaçöes.
    Q Deus nos abençoe
    Abraços

  • Quando nos livramos desse apego excessivo, vemos que realmente não precisamos ter tudo que pensamos ser indispensável. A vida fica mais leve. É sério!

  • Gostei muito do texto! Sempre tive muita dificuldade em desapegar. Penso em algo que não uso mais, aí levo mais um tempo pra avaliar se não é mais útil, aí costumo doar na feira, para famílias de índios que ficam lá arrecadando coisas. Esse apego emocional é bem difícil de lidar, confesso que prefiro doar sabendo que nunca mais verei o objeto. Estou sempre em processo de doação (no meu caso torna-se um processo!), mas já doei muitas coisas! Um dia vou chegar ao objetivo de ter certeza de que determinada coisa não é mais necessária. Sou muito zelosa com tudo, e isso que você falou sobre o valor que outra pessoa daria, realmente me tocou. Principalmente quando eu tinha que dar meus brinquedos! Era uma luta: eu até queria dar, mas pra uma criança que cuidasse e brincasse tanto quanto eu brinquei. Enfim, estou sempre me policiando com relação a não comprar algo por empolgação, que não vá ficar tão bem na minha casa, ou roupas que eu não tenha onde usar por não serem confortáveis, etc. Essas coisas sempre parece que um dia terão utilidade, mas ficam só entulhando!

  • Ai Paty. Eu aqui tendo até crise de ansiedade pq não tenho a quantidade de roupas que eu gostaria. Essa quarentena tá me mostrando muita coisa.

  • Eu não teria esta paciência…. rsrsr… Tenho umas coisinhas aqui mais hoje mesmo já agendei para limpar esta semana.

  • Boa noite,vou tentar abreviar… Tenho 46 anos e não sou consumista mas porém não consigo guardar dinheiro.Ultimamente está fraco meu trabalho, eu sou costureira faço facção para uma pessoa só ( fixo)
    Queria alguma dica
    Pois isso está tirando minha paz

    Hj tenho dívida devido pouco trabalho
    Me ajude e fique com Deus

    • Oi, Nilzete
      Porque vc não atende mais pessoas agora que o seu trabalho está fraco?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *