O post de hoje traz uma análise que mostra o quanto o brasileiro desconhece educação financeira. E tem a ver com o celular do Neymar!

Celular do Neymar e o analfabetismo financeiro

Jogador exibe celular em ouro avaliado em R$ 21 mil e fãs consideram ostentação, mas isso só reitera o analfabetismo financeiro no Brasil

 

Segundo os resultados mais recentes do Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, dois de cada três alunos brasileiros de 15 anos sabem menos que o básico em matemática.

O Brasil tem se mantido – há vários anos – entre os últimos 10 colocados dos 80 países que participam do ranking de educação mais importante do mundo.

 

De acordo com o SARESP, Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo, a classificação “abaixo do básico” significa que os alunos “demonstram domínio insuficiente dos conteúdos, das competências e das habilidades desejáveis para o ano/série escolar em que se encontram”.

O baixo rendimento pode ser detectado desde as primeiras séries do ensino fundamental, mas apresenta piora nos anos seguintes.

 

 

Muitas vezes os alunos sabem fazer as quatro operações matemáticas, mas não sabem como empregá-las para resolver situações-problema.

As coisas se complicam quando entram medidas de tempo, massa, comprimento e, mais ainda, com cálculos de juros e porcentagem.

 

Diante disso fica fácil entender porque o Brasil tem mais de 60 milhões de inadimplentes, ou seja, devedores que já perderam a capacidade de pagamento de seus compromissos e estão com o CPF negativado nos órgãos de proteção ao crédito.

Mas a quem interessa que as pessoas aprendam se a ignorância é uma indústria altamente rentável?

Quer melhor negócio do que entregar um e receber por dois?

Pois é exatamente isso que acontece quando se compra qualquer coisa que seja por meio de financiamentos com “parcelinhas que cabem no bolso”, mas que vêm recheadas de juros altos.

Ostentação, será?

 

E o celular do Neymar só comprova a falta de conhecimento do brasileiro em relação às finanças.

Vamos deixar de lado o fato de que ele não pagou nem um real sequer em seu celular de ouro de 24 quilates avaliado em R$ 21 mil.

Esse foi um presente para uma ação publicitária que muito provavelmente ainda lhe rendeu um bom cachê.

Mas, ainda que ele tivesse comprado o “celular ostentação”, o que esse valor representa no orçamento de quem recebeu, só de salário em 2020, 36 milhões de libras, o equivalente a mais de R$ 276 milhões de reais?

 

Equivalência é algo que o brasileiro ainda não considera cada vez que coloca a mão no bolso para comprar o que acredita que “todo mundo tem”.

Ostentação mesmo é um assalariado médio – que no Brasil representa um ganho de R$ 2.261 mensais – comprar um celular de R$ 4.800, colocando em um único objeto o ganho de 64 dias de trabalho.

 

Considerando a equivalência, o celular do Neymar custaria 6,4 milhões de libras, o equivalente a mais de R$ 49 milhões!

Logo, quem ostenta não é o menino Ney quando exibe um celular de míseros R$ 21 mil, mas sim, o brasileiro médio que não faz conta, não valoriza os próprios esforços e gasta o que não pode para comprar o que não precisa.

 

 

Nos vemos!

 

Confira o post anterior clicando aqui.

 

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Jornalista, especialista em finanças e autora de 5 best-selleres. Colunista do portal R7 e apresentadora do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

  • Bom dia!
    Este é um dos motivos que me anima voltar aos estudos, pois vejo em mim grande dificuldade em lidar com coisas tão básicas.
    Obrigada

  • Essa materia esta sensacional. Isso mesmo que penso. Como uma pessoa que trabalha todos os dias por salario paga mil reais num tenis, paga 11 mil num celular pq acabou de chegar no brasil, sendo que o anterior esta novinho. como alguem que mora numa casa de 200 mil tem um carro de 500 mil. sao comparações que nao entram na minha cabeça. quando questiono algumas pessoas elas dizem: ah mas fulano tem …. minha mae me ensinou que nao sou fulano e nao sou todo mundo. viver dentro da propria realidade é o caminho da paz.

  • “Muitas vezes os alunos sabem fazer as quatro operações matemáticas, mas não sabem como empregá-las para resolver situações-problema.”

    Sou professora, e sei como é isso na prática. A leitura, ou a falta dela, traz consequências p/ vida dos alunos, pois, uma coisa é aprender a ler, outra, é ler para aprender (…)

    E em relação a “quer melhor negócio do que entregar um e receber por dois?”

    Vivi isso na prática, três meses atrás, com minha mãe.
    Ela foi a uma determina loja, renomada no país todo, comprar uma TV 32. Saiu de lá feliz, com seu “carnezinho” de 15 “parcelinhas” de R$199,00.
    Ela havia me relatado isso 6 dias após a compra. Na mesma hora peguei a calculadora e fui verificar quanto, de fato, havia sido o valor total daquela TV.
    Fiquei pasma, pois, como você falou acima, Patrícia, eles entregam 1 e recebem por 2. A TV estava saindo a R$2.985,00, sendo que o valor que constava na etiqueta da loja era de R$1.437,50.

    Resumindo, eu li novamente o CDC, e fui atrás de reverter isso. Fui à loja, falei com a gerente, expliquei a situação e resolvemos da seguinte forma: 11× no cartão de crédito de R$143,75. Graças à Deus, paguei pelo valor justo e depois conversei sobre finanças com a minha mãe, explicando algumas coisas.

    Ressalto aqui, Patrícia, você me ajudou e tem me ajudado muito nessa jornada financeira. Estou lendo seu terceiro livro, leio o blog diariamente e vejo seus vídeos.

    Só me resta dizer, obrigada!

  • Amo suas postagens! São reflexões simples que não paramos para fazer e às vezes esquecemos de ver nossa realidade nesse mundo manipulativo do marketing. Gratidão.

  • Excelente comentário
    Parabéns Patrícia Lages
    Precisamos mesmo é dar
    importância a educação e a
    Vida financeira também.

  • Boa tarde Pati
    O nosso comportamento em relação à educação financeira às vezes nos deixa a desejar de tão precária que é.
    As pessoas não pensam no amanhã e torram tudo em muitos luxos e supérfluos.
    Eu graças a Deus tenho me policiado muito e adquirindo bons hábitos e aprendido muito com seus ensinamentos.
    Olha estou feliz pq recebir hoje o bolsa 2 , agora já tenho todos os 5 livros. Kkkkk

  • Só li verdades rs.

    Mas acho que o celular do Neymar, na equivalência final, sairia mais de 49 milhões de reais e não 49 mil, não é?

    Um grande abraço!

  • Olá Patricia. Eu tenho um filho de 13 anos e constantemente preciso “lembrar” a ele o motivo da matemática e a necessidade de aprendermos e como ela se apresenta em coisas simples, como por exemplo gestão da mesada. Eu não tive orientação a maior parte da minha vida, e acabei sofrendo muito e aprendendo com os erros. E sei bem como faz falta ser capaz de racionar sobre a vida financeira. Sim, raciocinar, para não se deixar levar por sentimentos, por vaidades, por desvarios do consumismo. Excelente reflexão, excelente post.

  • Boa tarde Patrícia! Tenho clientes que trocam de celular direto, ñ sei como conseguem ☺☺, agora que estou no meu segundo smartphone, o primeiro foi em 2014 e o segundo 2018, ou seja 3 anos já com o segundo, espero que dure pelo menos mais um ano (ele está novinho) 🤗🤗

  • Uau! Excelente reflexão!!! Nunca havia pensado dessa forma 🙂

  • Perfeito seus comentários é isso mesmo que penso em relação a tudo isso. Precisamos aprender mais sobre educação financeira.

  • GASTAR O QUE NÃO PODE PARA COMPRAR O QUE NÃO PRECISA…. isso foi fantástico…. e esse é o resultado da maioria dos Brasileiros, que pena!!!

  • Hoje assisti um video que dizia:” É melhor ter renda do que patrimonio”. Sensacional esse remete hoje.

  • Olá Patrícia, boa noite! Entendo que o contexto no qual o famoso atleta está inserido, é o de um estilo de vida que se quer exibir e, a campanha de marketing para divulgar o produto, faz muito bem o seu papel, nesse caso o “super, mega e valioso aparelho de comunicação” representa uma “jóia” como atrativo de consumo para os “endinheirados”, podendo até ter um “fundo de verdade” de indireta de autoafirmação. Eu quis dizer “aparelho de comunicação” porque, independente de ser belo ou caro, a função principal é fazer o seu uso para se comunicar com as pessoas nos seus ambientes e contextos. Ah, vale lembrar que sempre um “famoso” está sumido da mídia, geralmente, ele “aparece do nada” e logo todo mundo começa a falar sobre as suas artimanhas e daí passa a ocupar posição “top news”, não importa se para ganhar “likes” ou “dislikes”. Para alguém de menor poder aquisitivo, poderia ser um fator para motivar o desejo de alcançar o “mesmo” sucesso profissional ou equivalente, para então fazer o mesmo tipo de aquisição ou atingir o “status de poder”, ainda que distante do seu ambiente e vida presente e, é claro sabendo que, possivelmente, não houve desembolso algum para possuir o objeto. E, então a “ostentação” considerada pelos fãs como “gasto absurdo”, pode mesmo não ser somente alguma “inveja” e, sim, o total desconhecimento sobre o mundo das finanças e negociações empresariais. Voltando para a “normalidade cotidiana” de milhares de pessoas, a “ostentação” passa distante da realidade dos “simples mortais”, principalmente nos recentes anos, diante das mais variadas adversidades financeiras enfrentadas. Abraços!

  • Muito boa a matéria, vale a reflexão, ao invés de ficarmos olhando para o outro, olharmos para o que podemos melhorar em nós mesmos.

  • Paty….olha isso foi uma aula de matemática!!!
    Cada um tem que se medir com sua própria régua!
    Arrasou.

  • Oi Patrícia,
    E ainda tem quem diga que compra porque merece o melhor, eu trabalho tanto, porque não posso comprar esse celular?
    Não está pensando no valor, e muito menos se o celular vai ser útil para ela, importante é satisfazer seu ego, porque trabalha muito e merece o melhor, que a conta vá para o beleleu, as parcelas cabendo no bolso, já é suficiente para realizar seu sonho de contos de fada, final feliz e 4 anos apertado, passando dificuldade.

    Grande abraço.

  • Abrir a visão e não ir na onda do que falam ou dizem, faz toda a diferença. Excelente post.

  • Análise show de bola!
    E ainda poderá ser LEILOADO (valor futuro) em uns bons milhões/bilhões de dólares…analise o caso do “Rei” Pelé. Afinal brasileiro vive seguindo modas e escravo do marketing por falta de conhecimento financeiro.

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