A baixa produtividade dos brasileiros no trabalho foi tema de uma pesquisa feita pela Workfront anonimamente com 600 profissionais. O resultado aponta que apenas 39% do tempo de trabalho é produtivo. Veja como mudar isso!

Baixa produtividade é uma constante

Já li diversas pesquisas sobre produtividade no trabalho, feitas das mais variadas formas e em épocas diferentes.

A maneira como as pesquisas são feitas varia bastante, mas o resultado é sempre o mesmo.

Ou seja, a produtividade do brasileiro está sempre muito abaixo do que deveria.

Nesta da Workfront, o resultado final aponta que, no máximo, 39% do tempo de trabalho é focado em atividades produtivas.

Detalhe: no máximo! Isto é, a porcentagem pode ser ainda menor.

Com isso, concluímos que os demais 61%, no mínimo, são gastos em atividades não relacionadas ao trabalho.

Para obter respostas honestas, a pesquisa foi feita de forma anônima.

Os reality shows confirmam

Não, eu não li nenhuma pesquisa oficial onde os realities comprovam a baixa produtividade do brasileiro.

Eu mesma assisti!

Vi no YouTube uma temporada do Bake Off Brasil e, no Netflix, uma temporada de um reality similar australiano chamado Zumbo’s Just Desserts.

No brasileiro, os confeiteiros amadores mal conheciam as receitas, as técnicas e os preparos.

No australiano, os confeiteiros – também amadores – tinham um nível de conhecimento muito maior.

Porém, não foi isso que mais me chamou a atenção.

O que eu não pude entender foi o fato de que os brasileiros, em vez de lerem as receitas e focarem no preparo, ficavam conversando, brincando e pedindo conselho a outros que também não sabiam nada sobre a receita.

Enquanto os australianos mal olham para os lados, os brasileiros gastam o tempo fazendo piadinhas sobre sua própria incapacidade.

Outra atitude sem explicação foi a preocupação dos participantes brasileiros em “ajudar” e “ensinar” os outros participantes.

Como você pode ajudar ou ensinar os outros sobre coisas que não sabe fazer?

Os brasileiros deixavam suas bancadas para dar palpites na receita do outro com a convicção de um chef pâtissier.

Porém, enquanto isso, esqueciam a massa de seu próprio bolo queimando no forno…

Para mim, esse é um retrato bem claro de como muitos brasileiros agem no trabalho.

 

A vergonha está fazendo falta

Outro detalhe foi ver o quanto os australianos se sentiam envergonhados quando apresentavam um resultado aquém do que deveriam.

Choravam, se desculpavam, ficavam tristes e desconcertados.

Já os brasileiros riam, continuavam a fazer piadas e levavam tudo na brincadeira sem a menor vergonha dos resultados infantis que apresentavam.

É claro que houve momentos em que alguns surpreenderam e mostraram habilidade, mas era a exceção e não a regra.

Não ter vergonha nenhuma de não saber o que deveria faz com que as pessoas se acomodem.

Afinal, é muito mais fácil fazer piada  de sua própria ignorância do que se dispor a aprender.

Aprender não tem graça, não é mesmo?

Apresentar um resultado satisfatório torna a pessoa menos popular, não é mesmo?

Mas, aquele que está sempre com baixo rendimento, mas é amigo e piadista, é a pessoa que todos gostam.

O problema é que, apesar de todos gostarem, ninguém leva a sério…

 

Tenha foco, só isso

Se você DECIDIR a partir de agora ser uma pessoa focada, poderá sair dessa estatística assustadora.

Foco, antes de mais nada, é decisão, é querer.

Pare de se desculpar e justificar a falta de produtividade, pois ela não tem nada a ver com oportunidades na vida.

Quando posto textos assim, não faltam pessoas para dizer que os outros são mais produtivos por que têm isso e aquilo…

Enquanto os brasileiros não são produtivos por falta disso e daquilo.

Pois bem, produtividade começa com foco e isso nada tem a ver com falta de nada, a não ser de vontade, decisão.

Mudar hábitos não é fácil, mas não é necessário nenhum outro requisito inicial além de vontade.

Portanto, queira!

Esse é o primeiro passo.

Nos vemos!

 

Jornalista especialista em finanças, autora do best-seller Bolsa Blindada, colunista do programa Mulheres, TV Gazeta e youtuber.

  • Bom dia, Patrícia!
    Você está certíssima!
    Os improdutivos facilitam a premiação dos profissionais sérios!
    A Bíblia já diz isso, no livro de Provérbios (ahhh…. mas é chato parar para aprender…e ler a Bíblia…..).
    Suas lições me fortalecem, minha amiga!
    Beijos e obrigada!

  • o povo está esperando o próximo presidente aumentar o bolsa familia,é isso.

  • Bom dia!
    Patricia,
    Pena que tudo isso é verdade…lembro que trabalhei em um lugar e fui chamada atenção por que não ficava nas rodas de conversa durante o horário de trabalho, eu ficava procurando coisas pra fazer enquanto haviam uns 4 à 5 só conversando na mesa de reuniões (mas, não era hora de reunião!), eu era a estranha, enquanto algumas faziam hora extra no sistema,mas, iam para o salão fazer o cabelo! Mas eram as populares, então não acontecia nada com elas.

  • Bom dia Patricia, muito bom!! Infelizmente vemos muito isto na maioria das instituições, me parece até uma questão cultural alegar que “não faz mais porque não ganha tanto quanto seu colega”… ou qualquer outro motivo!!

  • Bom dia, Patrícia!

    Realmente essa é a realidade e só depende da própria pessoa ter força de vontade e decisão.
    Me sinto fortalecida a cada dia.

  • Isso acabou de acontecer comigo : entrei numa padaria e as meninas não deram nem bom dia, perguntaram o que eu queria e paguei, tudo isso com desdém e com o bate papo seguindo firme. Tudo isso com uma baita ma vontade. Parecia que eu estava incomodando por ter entrado na padaria enquanto elas batiam papo. No final ainda agradeci e dei bom dia porém não escutei nada de retorno. Um horror!

  • Boa tarde, Patricia infelizmente é assim que acontece.
    Confesso que eu mesma já deixei de fazer alguma coisa no trabalho para ouvir conversas que só mais tarde percebi que não agregava valor algum.
    Mas este texto me fez lembra de um caso que ocorreu na empresa a qual eu trabalhava, umas das colaboradoras que por sinal ficava a maioria do tempo na internet, (verificando site de moda que não tinha nada a ver com o trabalho em si) chegou na coordenadora e pediu para passar uma tarefa que era de responsabilidade dela, para uma outra Colaboradora que não tinha tempo nem de respirar por conta das responsabilidades que já tinha.
    simplesmente porque a mocinnha não se identificava com a tarefa, e o pior é que a chefe realmente retirou a responsabilidade dela e passou para a outra (Já sobrecarregada) com o argumento que fulana não tinha se identificado com a tarefa, ( Ou seja a tarefa era muito chata para ela realizar).

  • Bom dia, Patricia Lages;

    Fantástico seu texto, fico muito grato pelo que escreveu.
    Trabalho com coaching de produtividade, e sua observação sobre os Reality Shows demonstram claramente como o brasileiro perde o foco de suas atividades e se negam a aceitar a responsabilidade de seus erros.
    Sua matéria, contribuiu bastante na minha carreira, e vou compartilhar com outros.

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