Muitos já ouviram falar sobre a passagem bíblica recomendando “andar a segunda milha”, mas você sabe o que é isso na prática?

Ande a segunda milha

Um comentário no post de segunda-feira me inspirou a preparar o texto de hoje.

Em seu relato, a leitora descreve que a família, que mora em uma casa independente no andar de cima, solicitava todos os dias que ele desse conta de tarefas que nada tinham a ver com ela.

Por exemplo:

Ela era cobrada por todos os cuidados com um cachorro que não era dela;

Tinha de limpar as duas casas diariamente, embora fosse mais justo que a irmã que mora com os pais o fizesse;

Também precisava cuidar de todas as plantas, ainda que também não fossem dela.

Enfim, era uma lista de tarefas que ela precisava se desdobrar para cumprir, pois além de ter sua própria casa para cuidar, precisava trabalhar em várias frentes.

Confesso que, em um primeiro momento, ao ler o relato dela, minha vontade era perguntar por que ela ainda continuava morando lá…

Conheço várias histórias de famílias que sobrecarregam apenas uma pessoa, dando aos demais o direito de não fazerem nada.

Acredito que você também conheça situações assim e, na minha opinião, é uma exploração enorme, logo, uma baita injustiça!

Porém, hoje penso diferente e é sobre isso que quero falar neste post.

Há uma passagem bíblica que já previa esse tipo de dinâmica e Jesus deixou as instruções em Mateus 5:41:

Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas.

Para entender essa passagem é preciso conhecer o contexto da época.

Contextualizando

Israel estava sob o domínio de Roma, portanto, sujeito às suas leis.

E uma delas determinava que os judeus eram obrigados a carregar qualquer coisa que os romanos quisessem pela distância máxima de uma milha.

Esse percurso obrigatório de 1 milha correspondia a cerca de 1.600 metros.

Então, imagine só: se você vivesse naquela época e estivesse andando normalmente pela rua, poderia ser abordado por um romano qualquer que, por exemplo, tivesse comprado um tapete.

Caso ele não quisesse carregar o tapete pesado até em casa, era direito dele fazer você carregar, mesmo que estivesse totalmente fora do seu caminho e que você estivesse ocupado com outras coisas.

Mas, para não haver exageros (mais do que essa lei absurda…) era estabelecido um limite máximo de 1 milha, ou 1.600 metros.

Depois disso, ou o romano carregava por conta própria ou escolhia outro judeu para continuar o percurso por mais uma milha.

É óbvio que nenhum judeu (ou quase nenhum) gostava de ter de cumprir a tal lei porque obviamente era um abuso de autoridade.

O governo romano era muito rico e, ainda por cima, não estavam na sua própria terra. Ter de aturá-los mandando em tudo já não devia ser fácil, mas mais ainda ter de fazer esse tipo de coisa.

Porém, sobre esse tipo de abuso, Jesus orientou a não andar apenas uma milha, mas sim, duas.

Mas o que isso significa?

Que Jesus nos orienta a fazer mais do que é a nossa obrigação, e não apenas mais, mas sim, o dobro.

Isso serve para o trabalho profissional, para as responsabilidades com a família, com a sociedade etc.

É claro que ninguém vai conseguir fazer o dobro de tudo, porém, de acordo com essa passagem, fica claro que se refere a algo que nem deveríamos fazer, por tratar-se de um certo abuso.

Em vez de pagar com a mesma moeda ou arrumar confusão, o conselho é para que venhamos relevar algumas injustiças e mostrar que aquilo não nos afeta.

E o que ganhamos com isso?

Ah… agora é a hora da boa notícia!

Ganhamos uma coisa que dinheiro nenhum no mundo pode comprar: PAZ!

Definitivamente a paz não tem preço.

Há tantos multimilionários que têm tudo, menos paz, e posso lhe assegurar que eles trocariam seus milhões por ela.

Portanto, fica a lição: se você está sendo explorado e isso tem tirado a sua paz, decida não se importar mais e demonstre que não se importa fazendo o dobro.

Como costumo dizer, quando você deixa de se incomodar com algo, a pessoa que tinha a intenção de incomodá-lo fica sem ação.

Mais uma prova disso foi o desfecho da história da leitora que mencionei no início.

Apenas alguns dias depois de ela ter decidido levantar às 5 horas da manhã e fazer TUDO o que a família exigia dela, mesmo sem ser sua obrigação, sua mãe deixou um bilhete reconhecendo seus esforços.

Aparentemente o bilhete nem foi de bom grado (a leitora até chamou de “carta de alforria”), pois em um tom meio duvidoso dizia que ela não precisava fazer mais nada, que estava livre para viver sua vida como quisesse.

Mas seja como for, a família teve de reconhecer que estava abusando e que isso não a incomodava mais.

Ou seja, perdeu a graça!

Por isso, recomendo essa estratégia: caminhe a segunda milha e o seu romano vai ficar tão sem graça que vai desistir de explorar você!

Nos vemos amanhã, quando completaremos um mês do nosso desafio dos 100 dias!

Não perca nenhum post!

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Para conferir o post de ontem, clique aqui!

 

Jornalista, especialista em finanças e autora de 5 best-selleres. Colunista do portal R7 e apresentadora do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

  • perfeito…… estou vivendo isso e confesso que não tem sido fácil, mas tenho me esforçado e muitas coisas que me incomodava no inicio dessa pandemia, já não fazem mais sentido pra mim…. Me sinto e estou realmente mais forte.

  • É….. fazer mais do que é a nossa obrigação…tenho feito disso o meu lema…fazer algo a mais.

  • Olá Patrícia! Será que é essa a origem do ditado popular “se não pode com eles então se junte à eles” (mais ou menos isso)…rs…rs… Abraços

    • Não creio que seja, pois esse ditado soa como rendição e o ensinamento de Jesus não tem a ver com “jogar a toalha”, mas sim, em mostrar que somos mais fortes do que aqueles que pensam que somos fracos.

  • To passada, pensando ” Se lhe baterem em uma face, de também a outra” Possivelmente escrevi errado, mas a ideia vcs entenderam. Difícil colocar em prática, mas não duvido que tenha resultados.

  • Boa tarde querida! Ñ conhecia essa passagem bíblica, mas é bem assim, quando deixamos de nos incomodar com certas atitudes de outras pessoas, elas próprias vão nos deixando em paz. Um grande abraço! 😍😍

  • Esta a precisar ouvir isso, que eu ganhe forças para andar a segund milha.

  • Oi Paty! Bem… fiquei pasma com esse post! Primeiro porque não sabia muito do contexto histórico que ensejou a fala de Jesus. Que lei abusiva! Sempre vi essa passagem como você fazer o algo a mais e ultimamente tenho refletido sobre isso. Como fazer algo a mais na minha advocacia. Como entregar mais. Confesso que só pensei, mas sem aprofundar muito. Preciso colocar em prática rápido 🙂

    Mas esse post foi muito esclarecedor! Sempre oferecer mais do que esperam. Isso aumenta a competência e faz com que venhamos nos destacar além de aprender a transformar o limão das injustiças em uma limonada.

  • Boa tarde Patrícia
    Realmente eu desconhecia esse contexto da Biblia;aí então fico a pensar : como andar uma milha? Se às vezes não consigo andar meia milha? Sei que tenho de ser perseverante em tudo e saber administrar bem a minha vida.
    Pode ser que eu esteja errada, porém é isso que penso.

  • Interessante esse post!

    Resumindo e concluindo temos que “Ir além”.

    Hoje passei por uma situação e gostaria de compartilhar com vocês aqui do blog: minha colega esta finalizando a curta metragem e faltava ainda pesquisar trilhas com som de trem e trilhas tristes, então eu me disponibilizei para ajudá-la, pesquisei mais de 20 e enviei para o e-mail dela.

    Quando ela verificou o e-mail ficou surpresa, disse que estava à espera de receber uma ou duas apenas e começou a rir….

    Minha idéia era: como ela está sobrecarregada e com pouco tempo pra terminar a montagem da curta, eu queria evitar que ela perdesse tempo ali a procura das trilhas, e se caso não gostar, há outras opções.

    Esse é o espírito que temos que ter: de ir além

    Abração linda Pati.

  • “Como costumo dizer, quando você deixa de se incomodar com algo, a pessoa que tinha a intenção de incomodá-lo fica sem ação.”
    Não é de hoje que escolhi “atender para ficar em paz”….. quantos ganhos…. ahhh…. quantos ganhos! A paz encabeça a lista!

  • “Por isso, recomendo essa estratégia: caminhe a segunda milha e o seu romano vai ficar tão sem graça que vai desistir de explorar você!”
    Discordo completamente de vc, as pessoas exploradoras quanto mais exploram o outro mais querem explorá-lo. Não tem limites, acabam achando que aquilo é um direito seu e a outra pessoa tem a obrigação de ser explorada. Vira um vício, um mal hábito, seja lá o que for, só um basta resolve, dizer não a exploração é a solução! Ninguém deve aceitar isso passivamente e tem que deixar claro que ajuda é diferente de exploração.

    • Vc não discorda de mim, mas discorda de quem deixou essa orientação. Estamos falando de cumprimento de leis, de obrigações, por isso tive o cuidado de explicar o contexto.

  • Boa noite, não e fácil andar um milha imagine duas. Pra mim e muito difícil fazer isso que essa moça vez, eu teria dito não. Mais gostei do que ela vez, mostrou que e possível fazer a diferença.😘

  • Eu não conhecia o contexto. eu entendia que era para fazer mais do que era pedido. Mas não sabia que em situações abusivas também deveríamos praticar.

    • Eu não me referi a situações abusivas! Estamos falando do que dizia a lei, era obrigatório. E temos que considerar que o exemplo da leitora se refere à mãe dela. 😀

  • Oi Patricia! Amando seus posts. Será que foi por essa lei que São Cirineu ajudou a carregar a cruz de Jesus, a caminho do calvário?

    • Provavelmente. Qualquer pessoa poderia ser abordada, então acredita-se que foi por isso que ele teve de carregar.

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