Artigo da revista inglesa The Economist afirma que 2020 é o ano em que o futuro foi cancelado e que viver o presente nunca foi tão superestimado.

2020, o ano em que o futuro foi cancelado

Este texto foi primeiramente publicado na minha coluna no R7.

Acompanhe.

 

Escrito pela jornalista Catherine Nixey, o artigo “Mindfulness is useless in a pandemic” (Atenção plena é inútil na pandemia, em tradução livre) mostra como, aos poucos, fomos levados a aceitar situações que até pouco tempo atrás pareceriam apenas roteiro de filme.

Eu estava ansiosa pela refeição por semanas. Já sabia o que ia comer: a entrada de crostini de alecrim, depois o cordeiro com chips de abobrinha. Ou talvez o bacalhau.

Eu planejava chegar cedo e sentar na janela do balcão de mármore frio e assistir Londres passar. Na agitação quente do restaurante, a condensação embaçava o vidro.

Como um mimo, pedia um copo de vinho branco para mim enquanto esperava pelo meu amigo. Não será surpresa para você saber que a refeição nunca aconteceu.

Os casos de coronavírus começaram a aumentar exponencialmente e comer fora parecia menos uma indulgência e mais uma loucura.

Então, tornou-se ilegal comer juntos. Logo se tornou ilegal comer sozinho em um restaurante. Então, tudo se fechou.

 

Na maior parte das cidades brasileiras, além de termos sido privados da liberdade de fazer coisas simples, como uma refeição fora de casa, tivemos de conviver com a incerteza de quando poderíamos voltar a fazê-lo.

E, mesmo depois do relaxamento da quarentena, com a liberação de circularmos um pouco mais, muitos continuam presos.

Não pela lei, mas pelo próprio medo.

Com os rumores de uma segunda onda, novamente nos vemos diante de um número enorme de incertezas sobre o futuro.

Não sabemos nem mesmo se poderemos receber familiares em casa para dar adeus a esse ano tão desafiador.

Para além do pânico em relação ao vírus em si, está o medo de ser denunciado pelos vizinhos ou, quem sabe, pelos próprios parentes que acreditam que aproximar-se de outras pessoas é acercar-se da morte.

Como planejar 2021 sem saber se os filhos irão para a escola, se o trabalho será realizado em casa ou na empresa e, até mesmo, sem ter ideia se, pelo menos, haverá trabalho.

E quanto ao sentido da vida? Vale suspender a vida para nos mantermos vivos?

Em seu artigo, Nixey faz um balanço sobre o preço dessa não-vida.

O custo desses almoços perdidos foi calculado muitas vezes: os trens não tomados, os táxis não sinalizados, as sobremesas não comidas, os garçons que não receberam gorjeta.

Depois, há o preço emocional também.

Os espíritos estão enfraquecendo, os solitários estão ficando mais solitários, o mundo está murchando.

A covid já alterou muito a forma como vivemos.

Também alterou outra coisa – o próprio tempo.

Diante disso, uma coisa é certa:

2021 exigirá de nós ainda mais do que 2020.

Estejamos prontos para, dessa vez, não sermos pegos de surpresa.

 

Nos vemos!

 

Confira o post anterior, clicando aqui.

 

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Jornalista, especialista em finanças e autora de 5 best-selleres. Colunista do portal R7 e apresentadora do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

  • Parabéns querida Patrícia por me fazer refletir e ter uma análise crítica a respeito da quarentena. Maravilhoso mesmo tudo o que foi explicado. O lado bom é não sermos tomados pela ansiedade, pois na Palavra de Deus diz que basta a cada dia seu próprio mal. Gratidão!!!!

  • Bom dia, Patrícia!
    Que maravilha sabermos que Deus não foi pego de surpresa e já havia escrito a respeito desses dias, assim como de todos os anteriores. Quem aproveitou (ainda dá tempo de aproveitar), buscar na Palavra de Deus sobre como tudo se originou, como o pecado nos afastou dEle, como nos foi dada nova chance de perdão e reconciliação, como podemos trocar o que temos ouvido (notícias) por declararmos a verdade já escrita (ensino precioso de como foi o diálogo de Jesus com Satanás, no deserto).
    Os dias são difíceis, mas o que há de vir para a igreja do Senhor, é incomparavelmente melhor!

  • Mortos 174.531 | Auxílio Emergencial 67,7 milhões de pessoas | Capacidade do Maracanã 78.838
    Temos 859 estádios do Maracanã recebendo o auxílio para uma doença que provocou a morte de 2 estádios (número arredondado).

  • Boa tarde querida! Como eu gostaria que td isso fosse um pesadelo, quantas incertezas para 2021, temo muito pelos jovens, o que esperar daqui p frente? Penso nos filhos, nos futuros netos, e só orar a Deus. Um grande abraço! 😍😍

  • Infelizmente tem pessoas que não precisam receber e estão recebendo,conheço muitas,e, quando questionadas respondem: Se eu não receber outro recebe, é muito triste isso.

  • Boa tarde, vivemos tempos que não temos como nós planejar, porque o futuro e incerto. Temos que viver hoje como fosse o último dia. Dar valor a cada amanhã. Agradece a Deus por mais um dia que podemos fazer a diferença.

  • Continuamos a fazer o que está em nosso alcance e a esperar que Deus cuide dos seus!

  • Ola Patrícia!
    Não vim comentar o texto em específico, apenas dizer que sou um grande fã da sua coluna. Sempre diz o que penso, e um pouquinho mais, de forma limpa, clara, gostosa de ler, e sempre factual. Como descobri seu blog hoje, felizmente, vim dizer isso de forma direta logo, pois já a acompanho há muito tempo. Parabéns! Precisamos de mais Patrícias nessa imprensa cheia de Felipes Netos.

  • “2021 exigirá de nós ainda mais do que 2020”. Devemos nos preparar principalmente buscando a Jesus.

  • Olá pessoal!
    Que possamos estar preparados para 2021, sabemos que não vai ser fácil e que podemos até sermos surpreendidos novamente e não termos nossa liberdade como antes, mas uma coisa não podem nos tirar é nossa fé e esperança de continuar mesmo diante de tantos temores que venha a nos colocar. Força em DEUS até a vitória final.

    Muito bom ter você aqui Patrícia, com todo esse conhecimento maravilhoso, que nos faz crescer a cada dia.

    Abraços.

  • Olá Patrícia! Pensando no sentido para vida, em meio a esse turbilhão de acontecimentos, mais do nunca é necessário seguir em frente revestidos de fé, assim como está em João 16,33: Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. Abraços!

  • Oi Patrícia bom dia, nossa que verdade esse post…Nosso futuro é muito incerto, não sabemos se vamos voltar a ter liberdade, não sabemos se vamos ter momentos com os familiares, não apenas por canta da pandemia, mas por também por causa do medo que foi gerado dentro das pessoas. Confesso para você que desde o início dessa pandemia nunca tive medo, (mas não estou querendo dizer que não acredito na doença) até fui vítima dela, segundo o boletim da minha cidade, mas também confesso que ainda hoje tenho dúvidas, se realmente tive, ou se fui apenas mais uma no boletim onde outras pessoas que não estavam com COVID e foi colocada dentro deste boletim como COVID. Quero deixar aqui só uma coisinha pra você ver o que essa pandemia causou nas pessoas, Esses dias eu estava em casa morrendo de saudades de dar um abraço no meu esposo, pois nós antes da pandemia tínhamos o costume de nos abraçarmos sempre quando chegámos do trabalho, porém, depois que iniciou tudo isso perdemos esse hábito, então esses dias estava em casa e quando meu marido chegou fui ao encontro dele para o abraçar e quando cheguei perto, ele falou que nós não podíamos nos abraçar por causa pandemia, que ele estava sujo, que a roupa estava infectada, falou que ele ia tomar banho para que pudéssemos nos abraçarmos, e isso me deixou muito triste, porque era aquele momento que eu queria um abraço dele, até chorei. Então, vejo quantas mudanças em nossas vidas trouxe essa pandemia. Ouvi e vi algumas pessoas falando que essa doença veio para unir mais as pessoas, unir os filhos aos pais pelo o fatos deles não estarem na escola, mas isso é uma pura ilusão, no meu ponto de vista. Essa pandemia veio para afastar as pessoas, isso em todas as áreas. Bjs, até mais.

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