Se há uma coisa que atrapalha a vida de qualquer pessoa é a dúvida. Ser indefinido não faz ninguém ser bem-sucedido.

Quem é indeciso não tem como ser bem-sucedido

Todos os dias você precisa tomar inúmeras decisões, ainda que muitas delas sejam meio automáticas.

Assim que acorda, você precisa decidir se dorme mais 5 minutos ou se levanta imediatamente.

Também precisa decidir o que vai vestir, o que terá como café da manhã, se vai fazer o mesmo caminho de sempre para o trabalho etc.

Só nestas poucas decisões que precisamos tomar logo que acordamos, os decididos já começam a sair na frente dos indecisos.

Isso porque a perda de tempo dormindo mais do que deveria ou os minutos preciosos que são desperdiçados pelo simples fato de não conseguir decidir o que vestir já atrasarão o indeciso.

E, enquanto isso, o decidido já sai na frente.

 

Mas ser decidido não se refere apenas à questão de ganhar tempo.

Imagine sair todos os dias para almoçar com um colega de trabalho que emprega 20 minutos só para escolher o que vai comer.

Comigo, logo no começo da carreira, acontecia o seguinte:

Quando saíamos para almoçar em um shopping próximo, levávamos 10 minutos para chegar à praça de alimentação.

Para ganhar tempo, já íamos combinando o que iríamos comer.

  • “Eu vou no Mac”, dizia uma, enquanto a outra reclamava: “De novo? Sai de mim, estou de regime!”
  • “Gente, vamos no Viena, assim cada uma monta seu prato e a gente não se separa!”
  • “Ah, mas a gente fez isso anteontem! Olha, eu vou na Vivenda do Camarão e depois corro para sentar com vocês, combinado?”

Porém, havia uma que era “a indecisa” e nunca sabia o que pedir sem que ficasse uns 5 minutos observando cada restaurante (5 minutos quando você tem pouco meia hora para pedir, encontrar mesa e comer é muito tempo!).

Para ela, ir a um que estivesse muito vazio não era legal, por mais que ela quisesse comer lá.

Seu raciocínio era:

“Se ninguém está indo é porque eu não devo ir também”.

Mas, se no dia seguinte aquele mesmo restaurante estivesse cheio, lá ia ela para a fila ainda que não estivesse a fim de comer lá.

A questão é que ela sabia que era indecisa, logo, achava que ao “jogar com a maioria”, estaria acertando.

Conclusão: ela atrasava tanto o nosso grupinho que a dona do carro deu-lhe um cartão vermelho!

Às vezes ficávamos chateadas de não levá-la e voltávamos atrás, mas era batata: chegávamos atrasadas ao trabalho e tomávamos uma baita bronca.

Foi inevitável nos separarmos dela, ainda que pareça injusto.

 

Uma pequena amostra do todo

Com o passar do tempo, notei que “a indecisa” não era apenas uma pessoa que não consegui decidir rapidamente o que comer.

Mas tratava-se de alguém que não conseguia decidir nada.

Todas as coisas que ela precisava decidir, ainda que simples e corriqueiras, tornavam-se dúvidas enormes na cabeça dela.

Toda hora ela estava na mesa de outra pessoa perguntando o que fazer, como fazer, quando fazer e isso era muito irritante.

Até que um dia eu deixei escapar o que pensava daquilo tudo:

“Você tem o mesmo cargo que nós, entra e sai no mesmo horário, então, por que alguém sempre tem que te ajudar a fazer as suas coisas? Você tem o mesmo salário que todas nós, então, deveria fazer o mesmo que nós!”

Nem eu acreditei que tinha falado aquilo em voz alta…

Enquanto algumas das minhas amigas queriam aplaudir (porque no fundo queriam ter dito aquilo há muito tempo), outras ficaram com os olhos estatelados esperando a reação da “indecisa”.

E o fato é que a resposta dela foi a que menos se poderia esperar:

“É… eu sei. Esse salário pesa no meu bolso!”

A “indecisa” sabia que não era justo ter o mesmo salário das outras assistentes – no caso minhas 3 amigas e eu – que faziam muito mais do que ela.

Vimos que a indecisão do que comer era apenas uma pequena amostra do comportamento dela, pois as atitudes dela estavam sempre cheias de dúvida.

E como ser bem-sucedido quando se é tão indefinido?

Não consegui responder nada em voz alta na hora porque não esperava que ela reconhecesse que nós fazíamos quase tudo sozinhas (inclusive todo o trabalho dela) enquanto ela mesma passava metade do dia se escondendo para não ser pega “fazendo nada” e acabar demitida.

Nas semanas que se seguiram ela não teve coragem de nos passar suas tarefas, mas em vez de tomar a decisão de mudar, ela entregou os pontos e pediu demissão.

Ficamos divididas sobre o que pensar a respeito, pois enquanto umas diziam que ela foi justa por deixar um cargo que não tinha condições de exercer, outras diziam que foi tola em ter jogado fora a oportunidade de mudar e merecer o bom salário que recebia.

Eu creio que você sabe em qual grupo eu fiquei…

O fato é que, depois desse episódio, soubemos que ela se limitou a trabalhar em uma pequena empresa com um salário muito inferior ao anterior.

Mas quando perguntamos se ela estava contente com o novo trabalho, a resposta foi:

“Ela não sabe ainda se foi uma boa decisão.”

Dúvida: a maior inimiga de quem quer ser bem-sucedido

 

A maior inimiga da “indecisa” não foi a incompetência, pois ela poderia ter aprendido a executar as tarefas em alguma das mil vezes que tentamos ensiná-la.

O problema é que ela duvidava que pudesse ser competente.

Todas as vezes ela dizia:

“A Ana Maria tem 20 anos de casa, a Bárbara estuda numa das melhores faculdades, a Simone veio de uma multinacional e a Patricia acerta até quando erra.”

Sobre mim, não era verdade. Quando eu errava, errava mesmo, mas sempre dava um jeito de consertar!

Era o começo da minha carreira e eu não sabia muita coisa, porém, eu tinha vontade de acertar e de ser alguém bem-sucedido.

Esse era o meu objetivo: ser alguém bem-sucedido!

Se esse é o seu objetivo também, saiba que ser indeciso só vai atrapalhar o seu caminho.

Chute as dúvidas para fora do campo e pratique todos os dias uma tomada de decisão mais rápida.

Você não vai acertar sempre, mas com o tempo vai ganhar experiência e isso conta muito.

 

Nos vemos amanhã!

 

Confira o post anterior clicando aqui.

 

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Jornalista, especialista em finanças e autora de 5 best-selleres. Colunista do portal R7 e apresentadora do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

  • Boa tarde Patrícia!
    De todo o texto, por sinal excelente, o que mais me chamou a atenção foi o almoço no Viena.
    Ai! Que saudades dessa parte. Almoçar “casamiga” no Viena.
    Saudades de percorrer a Paulista até o Masp e às sextas-feiras ir ao cinema lá na Consolação.
    Passei por situações parecidas nas empresas que trabalhei.
    Sempre fui muito ativa, mas tbém fiz muita burrada e o jeito era consertar, como vc falou.
    Eu tbém me considero indecisa. Principalmente agora que estou tendo que empreender.
    Tem hora que passa pela minha cabeça: será que vale a pena?
    Ainda bem que passa rápido. rsrs.
    Beijos querida!

  • Boa tarde Patrícia! Pois é, se tem uma coisa que sou é decidida, as vezes fico surpresa comigo mesma, sou rápida em minhas decisoes, sei o que quero e quando quero. Já meu marido é lento p decidir, as vezes até como sua amiga, na hora de escolher um prato, acaba sempre pedindo igual ao meu, até a sobremesa pede igual😂😂

  • Oi, Patrícia!!!

    “Sobre mim, não era verdade. Quando eu errava, errava mesmo, mas sempre dava um jeito de consertar!”
    (ahahahahahahaha – essa sua fala é ótima!)
    Gente indecisa é degrau prá eu me aproximar do sucesso!

  • Boa tarde Pati
    Há tempos atrás eu era indecisa em algumas situações porém, tenho me policiado .
    Atualmente sei com convicção o que quero realizar: minhas tarefas, projetos de vida etc.
    Aprendir bastante com seus ensinamentos através de vídeos, livros e posts.
    Tenho 4 livros de seu blog , gosto muito de ler, pois eles são de muita utilidade.

  • Olá Patrícia, boa noite! Obrigada por trazer essa abordagem sobre indecisão. Certa vez li a frase de um autor anônimo que dizia algo do tipo “O que torna grandes os homens é a sua habilidade de decidir, porém o que é importante é depois dedicar a isto sua atenção.” Então, sob o meu ponto de vista, naquele momento, no qual você afirmou que quando cometia algum erro, procurava um meio de consertar, porque a sua vontade era de acertar e ainda que, o seu objetivo era, desde aquela ocasião, ser alguém bem-sucedido. Acrescento o que está em Salmos 50,12 “Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza.” Que bom, de certo modo, poder participar do seu momento presente. Depois de tomar uma decisão, buscou dedicar a sua atenção para que o seu objetivo se tornasse realidade. Parabéns pela conquista! Abraços!

  • Excelente artigo Patricia.

    A indecisão é a mãe da ineficiência.

    Evoluir sempre e sabendo o que se quer alcançar nos mostra o caminho para vencermos os desafios profissionais e pessoais em nossa vida.

    Abraço.

  • Uma colega de trabalho deu um passo pra trás na carreira e voltou para o departamento anterior. Ela tentava mudar o chefe ao invés de ir para um processo seletivo para uma área que ela realmente gostava. Eu falei mil vezes que as pessoas não mudam quando a gente quer mas não adiantou nada. Detalhe que eu não me conformo: ela tem 52 anos. 52. Não 25, 28. Tentar mudar pessoas a esta altura da idade?

  • texto perfeito para um momento mundial e social de indecisos…

    sou decidida e muitas vezes pago por isso, porque se uma pessoa indecisa sabe fazer direitinho é usar palavras pra atacar os decididos. Isso já me fez muito mal. hoje, não mais.

  • Muito Bom!!! Tenho dificuldades de dar feedbacks para pessoas assim. Estou trabalhando em mim este quesito de falar! É preciso!

  • Olá Patrícia!
    Sempre fui muito decidida na minha vida, depois de um negócio falido e muitas contas para pagar, não sei se fiquei insegura ou cautelosa, passei a demorar para tomar alguma decisão, a razão sobreveio de uma maneira que atrapalhou até na minha fé. Hoje com muita disciplina estou conseguindo voltar a ser como antes, percebi que não estava sendo legal os pensamentos e que não iria atingir meta nenhuma, pensando em tudo que poderia dar errado, passei a pensar no 1% e correr atrás do meu sucesso.

    Grande abraço.

  • Tenho a minha pequena de 9 anos que é assim, indecisa !!!
    Explicamos e mostramos para ela que isso fará com que ela sofra e seja sempre a última.

    Adorei esse post,

    obrigada.

  • Já sofri muito com a indecisão. Estou aprendendo a ser mais decidida. A indecisão cansa o indeciso e cansa os outros. No Natal passado passei um dia me cansando para escolher uma boneca pra minha filha e sobrinha. Acabei comprando a mais cara e de material ruim. Aff, terrível isso.

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