Ensino superior no Brasil: só pra inglês ver?

O governo comemora o grande número de alunos nas faculdades, enquanto pesquisas apontam que 40% desses estudantes são analfabetos funcionais. Onde está o motivo de celebração? Perdi alguma coisa?

ensino_superiorEnquanto o governo comemora o aumento de mais de 70% no número de alunos frequentando faculdade nos últimos anos, o mercado de trabalho reclama da falta de conhecimento dos profissionais formados.

Culpa das faculdades? Tire suas conclusões depois de saber a pior parte da notícia: 40% dos estudantes do ensino superior são analfabetos funcionais.

Sim, é de cair o queixo! Quatro em cada 10 estudantes do ensino superior não são capazes de interpretar um texto. Não estamos falando de crianças do terceiro ano, estamos falando que 40% das PESSOAS CURSANDO ENSINO SUPERIOR são incapazes de interpretar corretamente um texto em Língua Portuguesa!

Isso se deve a um ensino fundamental fraco que manda o aluno para a série seguinte mesmo que ele não esteja preparado. Daí ele parte para um ensino médio fraco e vai para a faculdade sem conseguir absorver grandes coisas, afinal, boa parte desses alunos nem sequer compreende o que lê.

Enquanto isso acontece no âmbito acadêmico dá para enganar… Passa apertado aqui, consegue ajuda de um professor ali, arredonda um 4,8 para 5 e pronto: diplomado! Mas o mercado de trabalho não perdoa pessoas sem qualificação real. Uma empresa não contrata um profissional nota 4,8, não promove quem está sempre atrás dos demais e não há possibilidade de colar na prova.

Por isso, estude de verdade. Não foque apenas em ter um diploma, mas sim em aprender de fato, pois no final das contas, é isso que vale.

Nos vemos!

Jornalista com atuação no Brasil, Inglaterra, Argentina e Israel. Autora do best seller Bolsa Blindada e palestrante na Universidade de Harvard.

  • Cristina diz:

    Olá patricia! leio todos os dias seus post e AMO!
    Concordo com tudo que você falou.

  • Jarlenys Dias diz:

    Olá, Paty.
    No meu caso, preciso muito de estudar o Português para exame se quero ingressar faculdade. Poxa, tive 6 valores nesse exame. Faltava apenas 4 para chegar 10 valores e logo seria admitida. 🙁
    Tenho algumas dificuldades de interpretação e escrever redação. Sou boa a gramática.
    Será que sou analfabeta por ter dificuldades de interpretar o texto sobre o Memorial do Convento de José Saramago? O de Lusíadas? O de Fernando Pessoa?

    • Patrícia Lages diz:

      Há textos mais difíceis, escritos em uma linguagem mais antiga e, portanto, incomum para o nosso tempo. Não conpreendê-los não significa ser analfabeta funcional. A pesquisa se refere a textos comuns e não ao tipo que vc cita. Bjs!

  • DAIANE Mota diz:

    E o cenário é ainda mais assombroso, pois muitos ainda cursam a faculdade à distância e dizem concluí-la em apenas 2 anos.
    Entendo que alguns casos vale a opção, mas sinceramente algumas instituições afirmam conseguir prover o mesmo nível de um bacharelado.
    Apesar de entender que o desenvolvimento depende do esforço do aluno, com a nossa cultura isso deve acontecer em baixíssima escala.
    Sinceramente não acredito.
    Imagine o profissional que mau recebeu a devida formação no ensino médio, conseguir concluir a formação superior a distância ou ainda frequentandoem carga semanal de menos de oito horas.

    • Patrícia Lages diz:

      Oi, Daiane. Eu pensava exatamente como vc, mas entrevistei um profissional da área acadêmica e tb li mais a respeito e o que se afirma é que o ensina a distância funciona pelo interesse demonstrado pelos alunos. Geralmente são pessoas que vivem distantes de universidades ou que não têm tempo para estar em um curso presencial. Tb tem o fato de que o tempo que reservam para estudar é de qualidade, sem distrações, pois a pessoa está sozinha. E como têm que estar prontos para as provas, que são presenciais, assim como algumas aulas, eles acabam se empenhando mais e o resultado é bom. Muito curiosos esses dados, fiquei contente em termos essa opção. É o tal negócio: quem quer faz!

      • Nádia diz:

        Faço faculdade a distância devido o valor ser mais acessível, não enfrento transito pois é próximo a minha casa. Trabalho de plantão e se não houvesse esta opção não poderia fazer uma faculdade. Meu curso tem duração de 2 anos e meio. No inicio deu um frio na barriga, mas faço o melhor e sei que muitos querem apenas um diploma, não é meu caso. Estou fazendo minha parte para ser capaz de competir com os outros alunos de faculdades renomadas e de ensino tradicional e competir de igual pra igual e daí para melhor.

        • Patrícia Lages diz:

          Boa!!!

  • Silvana diz:

    Patricia,

    Bom Dia!

    Enviei um e mail para você assunto VIDA, mas lendo seu livro Virada Financeira já me ajudou a resolver muitas duvidas mas preciso de uma ajudinha ainda, vou escrever outro agora VIDA 2, se puder por favor me retorne. Não queria que este terceiro livro terminasse queria que já tivesse outro para ler, você é uma pessoa maravilhosa. Abraços, fica com Deus!

    • Patrícia Lages diz:

      Olá, Silvana. Quando vc enviou??

      • Silvana diz:

        Patricia,

        Boa Noite!
        Enviei o primeiro e mail novamente e o segundo agora.Obrigada!

        Abraços, beijos!
        Silvana

  • Anabella diz:

    Hola Patricia, me parecieron muy interesantes los artículos que escribiste sobre la educación en Brasil. En Argentina,el tema de la educación es muy parecido allá a Brasil. Hace un tiempo se estableció que los chicos de escuela primaria no pueden repetir de grado y se hizo hincapié al primer grado porque dicen que es una “situación traumática” para un niño de esa edad.Algo que considero totalmente absurdo. Acá también hay personas con horrores de ortografía y con títulos universitarios. Lamentablemente, no siempre se tiene en cuenta si el profesional es bueno o no; en muchos lados, hay arreglos por conocer a alguien importante dentro de la organización y de esa manera consiguen obtener un trabajo. Mientras que por otro lado, hay profesionales excelentes trabajando de algo totalmente distinto por no conseguir trabajo de lo que estudiaron. Para mí, la educación es una de las bases más importantes para el progreso de una persona y de un país; pero no todos piensan eso. Besos desde Argentina.

  • Sula Laiane diz:

    Verdade! E o pior é que essa lei do engano faz as pessoas acharem que entrar na faculdade é o que basta, quando, na verdade, de nada adiante, se não há uma base formada.

  • Thais diz:

    Total verdade, as vezes fico até assustada com a quantidade de gente que eu vejo na sala de aula que mau consegue escrever! Também li recentemente que com a crise uma das áreas em que as pessoas estão começando a cortar gastos para economizar é justamente a educação!

    • Patrícia Lages diz:

      Esse dado é verdadeiro, as pessoas estão trancando as matrículas ou simplesmente ficando inadimplentes até onde dá, pois estão endividadas. Pior que isso é saber que as dívidas são de coisas, em sua maioria, supérfluas, como roupas (quando a pessoa já tem aos montes), festas, mais uma TV em casa e por aí vai. A educação está no fim da fila!

  • Daniele Ap. Antonio diz:

    Bom dia Patricia.
    O que a Anabella comentou sobre a criança se sentir envergonhada ao repetir de ano na escola é uma “desculpa” muito comum de se ouvir no nosso país também. Mas a verdade é que as escolas não querem mostrar maus resultados, pois são cobradas para que os alunos aprendam e quando não aprendem eles camuflam os resultados reais e empurram os alunos para os anos seguintes da escola, com o objetivo de se livrarem logo desse problema. Trabalho na rede pública de educação e é triste ver como tudo acontece. E o analfabetismo funcional na graduação é tão visível que nem necessitaria de pesquisas pra identificar isso, basta ficar um dia em uma sala de aula de qualquer curso de graduação. Lamentável.

    • Patrícia Lages diz:

      Uma pena mesmo, Daniele… 🙁

  • Ivanilde diz:

    Concordo Patrícia! Os comentários do texto que você postou referente as novas regras do seguro-desemprego, serve como exemplo, deste fato triste que está ocorrendo em nosso país! Que pena! 🙁

    • Patrícia Lages diz:

      Nem me fale!! Tive de tirar do blog, pois já havia passado de 1000 comentários e estava me tomando um tempo inutilmente… 🙁

  • Márcia diz:

    O, Patrícia.
    Aqui no RJ, existiu o sistema de aprovação automática.Sou professora de reforço escola e tenho alguns alunos, que com o fim desse sistema começaram a repetir de ano, até que não tinham mais idade para estudar com as crianças mais jovens e foram inseridos nos “projetos de aceleração”. Os projetos (pelos menos os que eu conheci através de meus alunos), são uma grande enganação. Não quero generalizar, mas nos casos que eu conheço, eles se formam no ensino médio ainda analfabetos funcionais, sem conseguir resolver problemas básicos de matemática!
    Como vão entrar numa boa universidade?
    Faço minha parte tentando conscientizá-los que eles não devem se conformar com esse sistema imposto à eles e que devem buscar conhecimentos relevantes através da leitura.
    Tento fazer a minha parte!
    Parabéns pelo artigo!!!!
    Já li Bolsa Blindada 1 e 2, que me ajudaram muito. Vou ler seu novo livro, com certeza!
    Beijos!

    • Patrícia Lages diz:

      A gente faz o que está ao nosso alcance, tentando inspirar outros a fazerem o mesmo. Parabéns, professora Marcia!

  • Raquel Delatorre diz:

    Oi Paty!! Pensei o dia todo no seu Post, acredita? Rs
    Infelizmente essa é a realidade! Mas creio que a raiz de tudo isso não seja exatamente a falta de interesse dos alunos, ou o “querer passar de ano” que impulsiona todos os dias aquele desejo enorme de se livrar dos livros! Acredito que a raiz esteja na mente das pessoas, e das pessoas que regem a base da nossa educação. Porque se o aluno cola na prova, ou consegue arredondar a nota, certamente foi sob o olhar de alguém. Falo isso porque já colei em prova e também já pedi para arredondarem a minha nota! Mas na verdade o problema não está no que eu penso e peço, esta no que me fez pensar assim! E na liberdade que me deram para isso.
    Se certo aluno cola em uma prova, certamente o professor sabe que o desempenho do aluno na aula não condiz com o desempenho do aluno na prova. Se ele arredondou a nota, ele não confiou nenhum pouco no esforço que ele teve durante o tempo que antecedeu a prova. Ele não confiou no ensino que ele passou adiante. Ele cedeu. Culpa da pessoa que colou? Ela não foi honesta, é verdade! Mas a culpa não é dela! Então a culpa é do professor. Mas pera ai! Culpa do professor? Por que culpa dele? Por que ele toma essas atitudes? Por que cede? Por que o professor não deu valor ao que fez durante um ano inteiro pelos seus alunos? Por que achou mais acessível passá-lo de ano? Eu sei o por que. Nem mesmo ele suporta mais seus sonhos não serem respondidos. Não quer admitir a si mesmo que seu sonho não é recompensado pelo o que seus olhos veem. Ele não aceita tanta humilhação no não reconhecimento do seu chamado para lecionar. Ele quer, no fundo, afirmar a si mesmo que tudo está sob o mais absoluto controle e que talvez, na próxima série, o aluno queira dar valor a tanto emprenho de seus mestres, queira se esforçar mais. Queira estudar. Queira lutar.
    Mas então se os culpados são os professores, vamos fazer alguma coisa! A educação do Brasil só está como está por causa desses professores que simplesmente fingem que não veem nada e passam os alunos de ano! Que fingem não olhar, e deixam o aluno colar. Que preferem arredondar, a ver aquele rosto de analfabeto funcional novamente. Valos tirá-los dali e colocar alguém que preste para ensinar o futuro do nosso país!
    Quem?
    Quem vai querer trabalhar sem ganhar. Quem vai querer trabalhar literalmente por amor? Quem vai optar por se anular pelo futuro de uma geração que não está nem aí para nada? Quem se abilita? Quem?
    Vou ver se de alguma forma os regentes do nosso país incentivam os nossos estudos para que possamos ir para os cursos superiores melhores capacitados. Vou perguntar qual foi a diferença monetária investida na educação e na corrupção.
    Mas aí, é muito cômodo não investir nesses seres tão irresponsáveis que deixam alunos mais irresponsáveis ainda colarem nas provas! Afinal, quem são os professores? São apenas aqueles que incentivam incansavelmente o futuro de uma nação a ser alguém para suatenta-la de uma melhor forma mais adiante. Realmente não são nada! São apenas os que não querem mais analfabetos funcionais no futuro do nosso Brasil.
    A irresponsabilidade pode ser dos alunos (e acredito que grande parcela dessa transgressão toda seja deles sim! Nossa!) mas não acredito que a culpa esteja sobre nós! Nossos sonhos são abafados por falta de opção e/ou oportunidade. Não são todos, lógico! Mas muitos não passam qualificados para a série posterior simplesmente porque não podem mais permanecer mais na série em que estavam. Não há mais vagas. Não há mais paciência para lhes ensinar já que não há mais reverência do lecionar. Professores acham que talvez seus colegas que estejam nas séries mais adiantes estejam mais preparados, ou com mais paciência para fazer esse papel. E alunos analfabetos funcionais acabam indo para o curso superior. Se formam. E vão para onde? Governar o nosso país! País regido, em sua grande e avassaladora maioria, por analfabetos funcionais. Por governadores analfabetos funcionais. Qual a dificuldade de entender: ordem e progresso? Não vejo progresso e muito menos ordem! Vejo atraso e bagunça descarada! Isso é o analfabetismo funcional que mais fere o nosso orgulho brasileiro, o nosso orgulho de ser estudante brasileiro.

    • Patrícia Lages diz:

      Pois é, um problema que certamente precisa de atitudes para uma virada!!

  • Eloisa diz:

    Ainda se vive na escravidão, só mudaram os senhores de escravos…

    • Patrícia Lages diz:

      Verdade. Essa liberdade velada e a escravidão têm poucas diferenças!

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