Hoje em dia está na moda levantar bandeiras sobre tudo e qualquer coisa, mas devemos ser vigilantes, pois muitas parecem boas quando não são.

Cuidado ao levantar bandeiras

Certamente nós, mulheres, desfrutamos de diversos direitos hoje graças à luta de outras pessoas – homens e mulheres – que vieram antes de nós.

Mas também é certo que muitas de nós desconhecem como alguns fatos ocorreram.

Por exemplo, em relação ao direito das mulheres votarem no Brasil.

Por aqui, a maioria das brasileiras não votava simplesmente porque não queria.

(Aliás, se o voto no Brasil não fosse obrigatório, muita gente também não se interessaria em votar em pleno 2020, quer seja homem ou mulher. É ou não é?)

E igualmente ao contrário do que se pensa, não havia nenhuma lei que proibisse o voto feminino.

Veja um trecho do artigo sobre o voto feminino extraído do site da Alesp – Assembleia Legislativa de São Paulo:

Ao contrário de outros países, o movimento pelo voto feminino partiu de um homem, o constituinte, médico e intelectual baiano César Zama, que, na sessão de 30 de setembro de 1890, durante os trabalhos de elaboração da primeira Constituição Republicana, defendeu o sufrágio universal, a fim de que as mulheres pudessem participar efetivamente da vida política do país. No ano seguinte outro constituinte, Almeida Nogueira, defendeu a participação das mulheres como eleitoras, e lembrou, na sessão de 2 de janeiro de 1891, que não havia legislação que restringisse seus direitos e mesmo o projeto da nova Constituição não cerceava esse exercício cívico.

Lendo o artigo todo você vai ver que houve, sim, certa resistência por parte de diversos políticos para que as mulheres não votassem (embora não havendo lei que as impedisse).

Porém, um dos motivos era justamente a falta de interesse que elas apresentavam.

Dessa forma, vemos que muito do que nos contam não é 100% verdadeiro…

Afinal, eu acho que você já ouviu muitas vezes feministas dizendo que as mulheres conquistaram o direito de votar lutando contra homens opressores.

 

Bandeiras anti-cristãs

Não muito tempo atrás vi esta imagem publicada no Instagram de uma amiga.

Nem precisaria de legenda, mas ela serve para reforçar a ideia de que o repórter é um individualista, egoísta e que deveria ajudar o pobre entrevistado que está na chuva.

Porém, esse é um exemplo claro de que somos conduzidos a pensar de uma forma errada e até mesmo anti-cristã.

Já posso “ouvir” o seu pensamento:

‘Peraí, Paty! Agora você exagerou legal, hein?!

OK, eu sei que parece, mas analise comigo a “Parábola das 10 Virgens”

Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.
E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas.
As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo.
Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas.
E, tardando o esposo, tosquenejaram (cochilaram) todas, e adormeceram.
Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.
Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas.
E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.
Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós.

Mateus 25:1-9

Você não tem a impressão de que as prudentes deveriam ser “generosas” e dividir o azeite com as loucas?

Não parece que elas foram egoístas e individualistas?

Bem, pode até parecer, mas a questão é que se as loucas não levaram azeite sabendo que poderia faltar, porque as prudentes tinham de assumir o risco de igualmente ficarem no escuro?

Da mesma forma, a figura da ilustração não sabia que poderia chover? Por que quem se preveniu tem de se molhar por causa de quem foi relapso?

Será que o repórter tinha mesmo a obrigação de acudir o outro e passar o dia de trabalho molhado por causa de quem não se preocupou de levar seu próprio guarda-chuva?

É claro que essa é apenas uma comparação e, podendo ajudar o próximo, devemos fazê-lo.

Porém, essas ideias de culpar quem é prudente e achar que o relapso SEMPRE tem de ser socorrido é anti-cristã.

Você ajuda se pode e quando pode, ou sejam quando não vai prejudicar a si mesmo.

Imagine quantos problemas seriam evitados se as pessoas não emprestassem seu nome, seu CPF ou seu cartão de crédito para quem não tem cuidado nem mesmo com o próprio nome.

Afinal de contas, quem pede esse tipo de coisa “emprestada” é porque não tem o próprio nome limpo, não é verdade?

Portanto, tenha cautela ao se deixar levar por esses movimentos que levantam bandeiras que parecem muito justas.

Tudo que é politicamente correto deve ser visto com os dois pés atrás.

 

Nos vemos amanhã!

 

Confira o post anterior clicando aqui.

 

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Jornalista, especialista em finanças e autora de 5 best-selleres. Colunista do portal R7 e apresentadora do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

  • Patrícia, como sempre, seu texto foi perfeito. Muito bem colocado. As bandeiras ditas “feministas” em muitos casos, causaram a opressão da mulher dentro da sociedade. A chamada “independência financeira”, quando as mulheres passaram a priorizar a sua carreira e deixar a sua vocação natural, de cuidar da família, só trouxe pressão para aquelas que querem sim, serem mães em tempo integral. Hoje uma mulher dizer que não trabalha, que “só” cuida da família, é visto com maus olhos pela sociedade, quando na verdade é a mais nobre das tarefas.

  • Bom dia, Patrícia,
    Esclarecedor o seu texto. Eu raramente exponho minha opinião principalmente porque quem está ouvindo já pode estar em posição de defesa (e ataque, o que é perigoso).
    Ainda mais nesse tempo de eleições….

  • Bom dia querida! Cresci em um lar onde meu pai sempre foi de esquerda (comunista e ateu) o que culminou na prisão do mesmo na Revolução de 1964, eu na época com 03 anos. Portanto sempre levantei a bandeira do Pc, Pc do B e tds os PC’S que vc possa imaginar, mas fazia aquilo no automático sem nem saber porque, meu pai foi o homem mais inteligente e sensato que conheci na minha vida e isso me fazia crer que ele estava certo nas suas escolhas idealistas e até em ser Ateu. Aos 38 anos tornei-me cristã (ele respeitou minha decisão) éramos muito amigos e companheiros, mas deixei de levantar bandeiras, porém em 2018 levantei a bandeira por Bolsonaro e o resto vc já deve imaginar, irmãs, filhos,sobrinhos, amigos, tds falavam: “como assim? Vc é uma traíra, a vergonha p nosso pai” foi bem difícil, mas eu ñ baixei a bandeira rsrsr… mas hj ñ levanto mais bandeira por ninguém. Um grande abraço! 😍

  • Patrícia estava assistindo um debate de um candidato para ocupar um cargo que agora não me lembro o nome dele, mas o que me revoltou muito e que nem quis mais assistir a entrevista foi porque ele tinha um projeto de lei para que caso uma pessoa da família cometesse um crime, e tivesse que pagar alguma coisa a justiça e a pessoa não tem condições, então alguém da família teria que pagar, ou seja a pessoa que é inocente, tem a sua vida justa, um familiar vai la e causa um acidente, abusa de alguém, se este não tiver condições de arcar com os custos que causou na vítima, o familiar vai ter que pagar!

    Gente eu quase surtei! Um absurdo uma lei dessa ser aprovada, por isso as pessoas que vão votar é preciso estar de olhos bem abertos e prestar atenção em quem elas estão colocando no poder!

    Abraço.

  • Bom dia! Estou totalmente de acordo com cada palavra que foi escrita. Eu mesma, já passei por vários “problemas” quando insisto em falar que coisas que não são politicamente corretas. Sempre sou taxada como alguém que é egoísta e que não sabe o que está dizendo. É bem complicado.

  • Trabalho num grande banco.
    Adivinha o que está acontecendo aqui… tem processo seletivo e as mulheres não vão, não se inscrevem. Tá cheio de “coletivo”, “grupos de trabalho” para falar, fazer encontros, rodas de conversa sobre a mulher. E na hora H, quem tem o currículo, os cursos e tal, não vai. Simples assim.
    Aí, querem falar de viés negativo e tal. Beleza. Pode até ocorrer em muitos casos. Mas, o banco começou a falar publicamente que as mulheres não se inscrevem nas vagas e é verdade. Basta olhar no sistema.

    • Entrevistei uma gestora de RH que abriu uma agência de empregos apenas para negros, pois ela via a dificuldade em contratar negros na empresa anterior onde trabalhava. Mas para minha surpresa, a dificuldade era que os próprios negros não se candidatavam a vagas melhores, achando que não seriam contratados. Ela me disse com todas as letras: “Para mim que sou negra é triste ver como o próprio negro se exclui.” É isso!

  • Bom dia Patrícia!

    Uma frase que está bem marcante pra mim nesses dias é “Nem tudo que reluz é ouro.” Temos que tomar cuidado com o que vemos e ouvimos, nem sempre é o que parece.

    Amei seu post.

  • até porque o mandamento é “amai ao próximo como a ti mesmo” nem mais nem menos, na mesma proporção, só pensar assim que nunca colocaremos outro na nossa frente e saberemos sempre agir com prudência.

  • Obrigada pelo ensinamento de hoje, levarei comigo daqui em diante. Ainda não havia parado p/ pensar nessa lógica, na qual você expôs, a respeito da parábola das 10 virgens. Ótima reflexão! Bjs Paty

  • Oi Paty, tudo bem?
    Essa questão de levantar bandeiras é muito muito delicada. Muitas crenças estão na nossa mente e nem sabemos que estão lá. Muitas ideias foram incultidas de forma desapercebida. Todas as vezes que uma onda começa como essa do estupro culposo eu fico pensando: tá… É a maioria que está indo nesse sentido. Qual é o ponto que ninguém está observando? Tipo… Nada, absolutamente nada justifica a forma como a Mariana foi tratada pelo advogado do réu. Ela foi humilhada e isso é indiscutível. Mas pera… Tudo isso poderia ter sido evitado se ela não estivesse se envolvido com o carinha, né? É tudo muito complexo.

  • Boa tarde!!!
    “”Imagine quantos problemas seriam evitados se as pessoas não emprestassem seu nome, seu CPF ou seu cartão de crédito para quem não tem cuidado nem mesmo com o próprio nome”verdade…eu que o diga…………

  • Olá Patrícia! Falando de atitude de egoísmo, lembrei de quando se está numa viagem de avião e, entre as instruções, há aquela sobre o uso, em caso de emergência, da máscara e do colete salva-vidas, para que o passageiro coloque em si mesmo os equipamentos de segurança, antes de ajudar quem esteja ao lado, seja criança ou adulto. Isso, não por egoísmo, mas sim porque se a pessoa não estiver portando os equipamentos, como poderá ajudar outras pessoas também? Abraços

  • É realmente um perigo esta onda de bandeiras. Muitos seguem sem pensar. Gostei muito também da reflexão sobre as néscias.

  • Texto muito pertinente, como sempre. Porém discordo desta frase: “Por aqui, a maioria das brasileiras não votava simplesmente porque não queria.” Estamos falando de 1.890 e se hoje muitas mulheres ainda precisam da aprovação do marido para resolver coisas simples, que dirá votar nos anos 1800.

    • Oi, Isabella
      Na verdade não se trata de concordar ou discordar, mas sim, de como as coisas aconteceram. Sei que há um movimento querendo “reescrever a história” para maquiar fatos que não estão de acordo com as “novas agendas”, mas essa tentativa não vai além disso: maquiagem, uma pintura bonita que sai com água.
      Minha avó nasceu em 1907 e nunca se interessou por política, tanto que jamais tirou o título, mesmo depois de ter os documentos brasileiros. Nem a minha mãe se interessava e só votou (durante muitos anos) porque é obrigatório.

  • Cada post é como um alimento que vou digerindo aos poucos, e cada nutriente desse alimento vai fazendo sua função.
    Poxa, pensar dessa forma faz com que sejamos justos, independente de qualquer expectativa alheia, porque primeiro seremos verdadeiros conosco e de acordo com o que podemos fazer, faremos algo pelo próximo. Tudo dentro do bom senso e sabedoria.
    Vou meditar mais a respeito.
    Outra coisa importante é sobre como esse “politicamente correto” e essas novas bandeiras empurram “guela a baixo” a história dos fatos, como se fosse verdadeira e tudo com a forcinha da mídia.
    Obrigada Patrícia!
    Deus te abençõe e toda sua família!

  • Pois é, o julgamento precipitado é muito ruim, tive que voltar atrás e pedir perdão a Deus rsrs, pois já tinha condenado o repórter rsrs. Como somos pequenos né, aprendi uma lição!

  • PATRICIA LAGES… PARABENS PELA CORAGEM DE ESCREVER ESSE TEXTO…
    concordo em numero, gênero e grau.
    Deus te abençoe

  • Patrícia, temos que ter muito cuidado sim. Concordo com você. Para opinarmos sobre um assunto é necessário conhecê-lo para não cometermos injustiças ou até mesmo apoiarmos algo que não concordamos, mas está implícito no tema abordado nas mídias. Procuro ser cautelosa.

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