Conhecer primeiro, criticar depois

Esse post é sobre política, mas antes de resolver NÃO ler por não gostar do assunto, faça um esforço, pois nós precisamos saber o que está acontecendo nesse país!

Debate

Domingo passado (15/05) foi realizado um debate aberto entre o Ministro da Indústria, Comércio e Serviços Marcos Pereira (mais informações clique em Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e profissionais liberais de diversas áreas. Pereira falou não como Ministro, mas como líder político, explicando um pouco sobre a estrutura do governo e a necessidade das pessoas de bem se envolverem na vida pública.

Na foto acima, onde estou fazendo uma pergunta ao Ministro, acabei saindo com os olhos fechados (clique na foto para ver maior), mas faço questão de usar essa imagem porque é assim que me senti em relação à política depois desse debate: bem ceguinha! 🙁

Durante o evento foi dito que o brasileiro precisa aprender a votar, pois todos somos responsáveis pelos políticos que estão nos governando. Diante disso, fiz a seguinte pergunta:

“Ministro, é certo que o brasileiro tem que aprender a votar, mas como isso é possível em um sistema eleitoral onde votamos em um candidato e, se ele recebe um grande número de votos, o partido consegue eleger outros candidatos que não receberam votos suficientes para serem eleitos? Esse sistema vicioso não colabora para manter quem não queremos no governo?”

Antes de dizer qual foi a resposta do Ministro, vale registrar que eu acreditava piamente que esse sistema eleitoral era extremamente injusto, pois elege quem não foi eleito pelo povo. Pensando dessa forma, ainda parece injusto, não é verdade? Mas a questão é que minha visão se limitava a esse ponto negativo e não considerava nada de positivo. A resposta do Ministro foi que, no mundo todo, apenas uns quatro países adotam um sistema diferente do nosso e, entre eles, estão a Síria e o Paquistão, que não podem ser considerados exemplos no que diz respeito à política.

Eu desconhecia totalmente essa informação e só com essa colocação já pude perceber o quanto estou ceguinha em termos de política! Mas o Ministro continuou dizendo que, caso o sistema fosse outro, só se elegeriam os famosos e os ricos, pois ninguém vota em quem não conhece. E, claro, só conhecemos aqueles que têm dinheiro para fazer campanha!

urna

Diante disso, vi que precisamos conhecer MUITO sobre como a política funciona. Quer dizer, se eu voto no candidato X do partido Y, tenho que conhecer os outros candidatos do partido também, pois meu voto pode “puxar” vários outros. Olha que perigo: você vota em UM candidato, mas pode eleger 3 ou 4 que nem sabe quem são! Você sabia disso?

É preciso conhecer o partido e TODOS os candidatos, não só aqueles que aparecem na TV. Uma vez que o eleitor NÃO tem essa informação, ele só se preocupa com quem está votando (e olhe lá!).

Minha visão mudou muito depois desse debate, principalmente por saber que a crise no Brasil não é grave, mas gravíssima! São bilhões em dívidas e vai levar tempo para o governo colocar o país nos trilhos, independentemente de quem esteja no governo. É hora de nos informarmos sobre o assunto e não apenas criticar o que desconhecemos.

Nós precisamos nos dispor a saber mais sobre política, gostando ou não, afinal, um político, por meio de uma única lei, pode destruir um bairro, uma cidade e até mesmo um país inteiro. Vamos abrir os olhos!

Nos vemos!

Jornalista com atuação no Brasil, Inglaterra, Argentina e Israel. Autora do best seller Bolsa Blindada e palestrante na Universidade de Harvard.

  • Graziele diz:

    Se são 4 países que adotam um sistema diferente do nosso e foi mencionado somente Síria e Paquistão, quais são os outros dois?

    • Patrícia Lages diz:

      Os assessores não lembraram na hora, mas disseram que são duas ilhas meio desconhecidas. Esses 2 são os que conheceríamos pelo nome…

  • Cidalia-Tunisia diz:

    Boa noite Patty,

    Post de grande interesse,vale a pena refletir e Nāo sómente aí ..
    Obrigada por dividir esta reflexāo?
    Bisous – Cidalia

  • Renata diz:

    Muito pior que esse sistema é o fato das pessoas não saberem em quem estão votando, não entender a orientação política de seu candidato e se prestar ao papel de massa de manobra votando em um candidato a pedido de alguém ou para pagar algum favor. O resultado foi o circo que presenciamos no Congresso em abril.

    • Patrícia Lages diz:

      Sem dúvida! Aquela votação foi uma excelente demonstração do tipo de político que temos em Brasília. Espero que sirva para que as pessoas pensem melhor sobre o assunto e se disponham a entender que o voto é nosso maior exercício de cidadania (e que não pode ser trocado por favor algum).

  • Caroline Dantas diz:

    A pior parte de tudo isso é que mesmo com toda essa situação deplorável, as pessoas estão mais preocupadas em brigar, do que realmente entender o que está acontecendo. Por mais que seja um momento muito triste e sofrido para o nosso povo, é o melhor momento para essa discussão, e para entender como funciona a política no nosso país, e mudarmos realmente os rumos, de maneira coerente e correta. Esse sistema, se bem utilizado é de grande beneficio para a população, pois é acompanhada de diversas visões políticas dentro do Congresso e um debate realmente encorpado no que tange as necessidades da população.

    • Patrícia Lages diz:

      É isso! 😀

  • Carol diz:

    Muito boa reflexão… Eu tbm não sabia! Nossa situação é realmente gravíssima e infelizmente iremos colher os frutos dessa corrupção por muitos longos anos até que se consiga colocar tudo em ordem. Com o novo governo creio que vamos sentir mais ainda as consequências pois serão tirados ou “dificultados” da população brasileira benefícios que custavam bilhões aos cofres públicos, para tentar cobrir o rombo. Um deles é a idade mínima para aposentadoria e entre outros. Nosso país só um milagre agora, eu creio!

  • Bruna diz:

    Muito bom o post Patrícia! Concordo plenamente e sobre conhecer primeiro, criticar depois entra o preconceito descabido contra o Ministro Marcos Pereira por ele simplesmente ser Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, afinal ele não está lá representando a Igreja mas sim os eleitores que o elegeu, um político com vários anos de carreira e com a ficha limpa!

    • Patrícia Lages diz:

      E tem mais: você sabia que tem um ministro pastor nesse governo? Ninguém sabe, pois só falam no Marcos Pereira… rs…rs… Mas vamos em frente!

  • Daniele Santiago diz:

    Olá Paty! A questão é que no Brasil não há fidelidade partidária. Os candidatos deveriam cumprir as propostas do partido ao qual são filiados e manter-se fiéis aos ideais partidários até o fim do mandato, mas isso não ocorre no Brasil. Se fosse assim, bastaria o eleitor conhecer as propostas e ideais do partido, pois se o seu candidato tivesse votos suficientes para eleger outro candidato do partido, pelo menos o eleitor estaria ciente das suas propostas e ideais.
    Outra coisa que deveria mudar são as regras das campanhas eleitorais, pois acho que deveria ser dada a mesma visibilidade a todos os candidatos, ao menos na televisão e rádio, para que tivessem oportunidade de apresentar suas propostas aos eleitores. Mas, como não temos em um sistema ideal, devemos mesmo nos informar e conhecer bem como a política funciona no nosso país, já que são os eleitores que escolhem os políticos que os representarão, considerando que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos” (art. 1º, parágrafo único, da Constituição Federal). Beijo grande. Admiro muito e acompanho o seu trabalho!

    • Patrícia Lages diz:

      Sim, o político migra para outro partido sem o menor problema… Mas se o brasileiro tiver essa cultura de ser fiel ao partido, o político vai pensar duas vezes antes de migrar. Hoje ele faz isso a qualquer momento porque o eleitor nem liga para a legenda. É uma questão de informação e de saber como nos posicionarmos diante do que temos. Obrigada pelo comentário enriquecedor!

  • Adriana diz:

    Pois é… tenho pensado bastante sobre quais conhecimentos preciso adquirir daqui pra frente: política, história do Brasil, filosofia, finanças, saúde, relacionamentos. Tenho a sensação de que aquilo que realmente faria a diferença na minha vida não foi aprendido. É arregaçar as mangas e começar.

  • Ana carneiro diz:

    Si a Paty lages si sente de olhos fechados, p entender o sistema, eu me senti no útero da mãe,!RSSS

    • Patrícia Lages diz:

      Kkkkkkk… Vamos tentando entender, amiga!

  • Misleide Ssles diz:

    Patrícia, eu não entendo nada sobre política e economia, e coincidentemente estava conversando sobre isso de não entender e não me interessar por esses assuntos, hoje pela manhã, com meus colegas de trabalho, e eles me diziam o mesmo, que temos que conhecer pelo menos um pouquinho e tentar entender, parece que tenho mesmo que reagir e começar a me informar! Muito obrigada!

  • Erica diz:

    Excelente post, se estudarmos a história da política mundial veremos que em outros países e pensadores famosos sempre falaram de posicionamento político, idéias e ideais e em sua grande maioria estes fatores remetem há um grupo que normalmente chamamos de partido (porque eles “tomam partido” da idéia que representa um grupo de pessoas. Porém, o brasileiro se acostumou a personificar a imagem de que “alguém” seria a solução de todos os problemas. Como sempre, é muito fácil imaginar que alguém pode fazer 100% do que eu sei que tenho que fazer também (como por exemplo, tentar entender de política). O brasileiro sempre busca um “salvador da pátria”, um “pai dos pobres”. Estes dias, um amigo comentou no face: “desde o fim da ditadura o Brasil elegeu 4 presidentes por voto direto, 50% sofreu impeachment, é claro que o brasileiro não sabe votar!”. Eu também já estive alheia ao assunto, mas venho tentando me corrigir disso!

  • Regina diz:

    Olá Patrícia! Conhecei seu blog há algum tempo através do blog do vida organizada e desde então,bato o ponto por aqui. Comprei seus 3 livros e gosto muito do seus posts. A respeito deste assunto em particular, acho muito importante conhecermos mais sobre política e economia em geral, pois a situação atual do país é consequência de uma série de fatores. Claro que a corrupção que assola o país tem papel importante, mas há de se entender que a crise econômica mundial que afetou em 2008 os países do primeiro mundo e foi adiada aqui por medidas como redução de impostos e facilidade na aquisição de crédito, é um dos motivos pela atual situação do país. A crise econômica estava batendo a porta do Brasil há muito tempo mas muita gente acreditou que seria apenas uma “marolinha”. Não acho que tenha sido de todo errado na época, o Brasil ter estimulado a economia e ter reduzido o imposto de carros e eletrodomésticos, mas todo mundo sabe que não existe “almoço grátis”. O governo se perdeu quando resolveu fazer mais do que podia para continuar no poder. Eu acredito que tanto o governo da Dilma, como o do Lula e do FHC, teve erros e acertos. (Não falo dos anteriores,pois antes eu era criança e não tenho como opinar) Acho que as pessoas devem se informar antes de sair criticando tudo e todos, destilando ódio contra este ou aquele partido. Todos que roubaram, devem ser punidos, independente de partido. E é verdade, a política carece de pessoas de bem, que se preocupem com o todo e não com sua legenda. Se todas as pessoas que se manifestaram a favor ou contra o impeachment, continuarem a cobrar os políticos, acho que podemos mudar o cenário político do país. Não é só um chefe do poder executivo que governa um país, aliás, um presidente tem mais caráter representativo do que outra coisa. Precisamos aprender a cobrar principalmente dos deputados e senadores que se vendem a troco de cargos no governo.

    • Patrícia Lages diz:

      Falou tudo! ?

  • Ana Lina diz:

    Muito pertinente sua reflexão.Precisamos deixar o costume de sermos superficiais e nos aprofundarmos nos temas que devemos saber, porque um voto errado prejudica uma nação.Mas para um povo com maioria analfabetos funcionais vai ser bem difícil sair dessa superficialidade e continuaremos sendo massa de manobra para os políticos manipuladores.

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