É isso mesmo: tem gente que até merece que venhamos sentir raiva delas. Porém, a raiva faz mais mal a quem sente do que à pessoa que nos fez mal.

Como evitar sentir raiva de quem merece

Primeiramente vamos lembrar que esse post é dirigido a pessoas adultas e não a crianças que ainda não sabem lidar com a raiva.

Digo isso porque muita gente (adulta) insiste em dizer que não consegue uma porção de coisas quando o assunto são os sentimentos.

Por exemplo:

Não consigo deixar de comprar quando SINTO vontade, então, compro mesmo sabendo que não posso pagar.

Se eu SINTO vontade de comer eu não resisto, embora saiba que me faz mal.

Resumindo: a pessoa acha que é impossível não fazer o que SENTE vontade de fazer!

Bem, se você pensa assim, sinto em desapontá-lo, mas trata-se apenas de uma desculpa para não fazer o que sabe que precisa fazer.

Prova disso é que certamente você não fala para o seu chefe todos os desaforos que muitas vezes SENTE vontade.

Você resiste porque sabe que vai perder o emprego. Logo, é possível resistir quando você coloca a RAZÃO acima do SENTIMENTO.

Essa introdução é para que você note que é possível contermos todo tipo de sentimento, inclusive a raiva.

Mas aí você pode perguntar: “Por acaso é possível não sentir raiva?”

Não, não é possível deixar de sentir raiva, pois ela é inevitável.

A Bíblia diz que até Deus se ira, portanto, Ele conhece o que é esse sentimento.

Porém, Ele deixou um ensinamento muito importante em Efésios 4-26:

Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.

Ele não disse: “jamais sintam raiva”, mas sim, que nós não venhamos CULTIVAR a raiva que inevitavelmente vamos sentir.

Como lidar com a raiva

Veja o relato da leitora Lívia Bringel que sempre colabora com comentários pertinentes aqui no blog:

Meu filho é autista, tem quatro anos. Patrícia, ao começar a ler seu post [sobre empatia], fui me colocando no lugar dessa mãe, pois passei por muitas situações difíceis com ele sem saber o que era, e ainda passo. Acabamos de descobrir e ele está no início do tratamento. Às vezes, me sinto mal quando as pessoas me olham estranho quando, por exemplo, ele não quer ficar em uma fila, quando tem uma TV ligada na recepção…acredito que pensam que talvez ele seja mimado.
Mas sigo firme, a única coisa que posso fazer é entender que algumas pessoas não entendem. Se não vou ficar com raiva do mundo e nem de casa vou sair (o que é impossível, mas às vezes é o que tenho vontade de fazer), porque sempre passo pelas mesmas situações com ele e não vou poder mudar o pensamento das pessoas. Posts como o seu ajudam muito.

A Lívia encontrou uma forma de lidar com a raiva que sente quando as pessoas a julgam sem saber de seus problemas.

O que ela fez foi “entender que algumas pessoas não entendem” e ponto final.

É importante saber lidar tanto com ocorrências frequentes (como é o caso da Lívia sempre que sai com o filho) como em relação às pessoas com quem convivemos.

Isso porque obviamente vamos sentir raiva com mais frequência das pessoas com quem convivemos mais.

Sentir raiva não é o fim do mundo.

É normal que uma mãe, por mais amorosa que seja, em determinado momento sinta muita raiva do filho.

Assim como é normal um marido ter raiva da esposa quando acontece algo que o incomoda e vice-versa.

Mas o que devemos fazer depois que sentimos raiva é lidar com ela, ou seja, neutralizá-la.

E esse mecanismo de neutralização da raiva é você que precisa desenvolver, pois cada um vai ter uma maneira.

Há quem saia para dar uma volta e espairecer, há quem prefira ouvir uma música, tomar um banho, enfim…

Ache o seu mecanismo e use-o antes do pôr-do-sol, isto é, não vá dormir com raiva, não deixe para resolver mais tarde.

A raiva cresce com o tempo e vai se tornando cada vez mais difícil de ser neutralizada.

Então, se apresse em arrancá-la de você!

Nos vemos amanhã.

 

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Jornalista, especialista em finanças e autora de 5 best-selleres. Colunista do portal R7 e apresentadora do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

  • *raiva cresce com o tempo e vai se tornando cada vez mais difícil de ser neutralizada.*
    Tem que se livra dela,logo no começo….

  • Eu preciso sair de perto da pessoa, acalmar e só depois conversar.

    Se eu for conversar com raiva, ja sei que vou acabar dizendo o que não deve e gerar mais problemas.

    Até domingo no Clube da Leitura, ah o horário aqui mudou, quando for 16h00 aí, será 19h00 aqui, da pra assistir mais tranquila sem precisar fazer a janta ao mesmo tempo kkkk. abraço.

  • Feliz sábado Patrícia!!
    E a cada post podemos repensar sobre muitos assuntos. Muitos que vivemos na pele, e seu ponto de vista nos faz ver que todos nós passamos ou passaremos por eles. Que possamos compreender que é humano termos esses sentimentos seja o caso da mãe com seu filho, seja em sermos tomados pela raiva, enfim: Mas que tenhamos mais empatia com o próximo e com nós mesmos.
    Gratidão, suas palavras nos motivam a cada dia, e é sempre uma alegria abrir suas mensagens. Já virou algo do meu dia a dia!
    Que Deus a abençoe e muito obrigada🙏🙌🌷

  • Boa tarde querida! Sentir raiva é inevitável, porém, temos que saber lidar com a mesma, e isso só o tempo ensina, um grande abraço 😍😘

  • Olá Patrícia! Por aqui está chovendo um bocado. Por conta dessa chuva e da abordagem do post de hoje, me lembrei de uma “situação de raiva” que tive que suportar, do tipo “só Jesus na minha causa”…rs…rs… estava trabalhando num projeto e a pessoa que estava gerenciando de fora do ambiente, me pediu para enviar um arquivo por e-mail, sendo que tinha que ser “exatamente naquele momento que me pediu” (então, não era um pedido e sim uma ordem!). Eu expliquei que no local havia um problema de conexão de internet, o pessoal de TI estava trabalhando na solução e que poderia demorar cerca de meia hora para resolver. Essa era a informação que eu tinha recebido do responsável pelo departamento para o qual o trabalho fora contratado. Bem como a pessoa estava “num dia daqueles de fúria”, me disse que eu não estava dando importância para o pedido, que era urgente, que eu estava fazendo pouco caso da parte do trabalho que lhe cabia,etc. Por fim, a conexão de internet demorou umas três horas para ser resolvida! Realmente, naquele dia a pessoa estava “inspirada” para tentar me deixar irritada e tirar do sério… Então, a pessoa chegou ao local “de surpresa” para “ver de perto” a situação. Não havia a menor necessidade, houve um problema na rede do cliente, inclusive na madrugada os cabos haviam sido furtados, estava acontecendo problemas de telefonia e de informática. Eu não havia trabalhado com essa pessoa anteriormente e as outras pessoas da equipe me disseram que era assim mesmo, que era melhor deixar passar, que era “normal” agir dessa maneira. Fiquei “passada”…rs…rs…. Pois bem, naquele momento eu tive que fazer “cara de paisagem” com o ocorrido, porque na minha concepção era falta de ética profissional rebater o desabafo grosseiro no ambiente do cliente. Então, chegou a hora do almoço, desabou uma bela chuva e a “pessoa perfeita” não estava com seu guarda-chuva e sequer uma capa para se proteger. Eis que “engoli a minha raiva”, não falei nada, apenas protegi “a pessoa” sob o “meu guarda-chuva”, acompanhando as outras pessoas também para almoçarmos juntos, como se nada tivesse acontecido!!! Contei até dez mil… e pedi ao Senhor Deus que me mantivesse calma para finalizar aquele trabalho que era muito importante e eu estava cumprindo o prazo acordado. Gostaria de acrescentar o que está em Efésios 4,31: Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Abraços

  • Boa noite, Patrícia.
    A insistência no assunto do autismo me move a alterar o meu comentário na postagem anterior. A mãe do momento tomou uma decisão madura que me ensina na prática ser possível neutralizar a raiva (numa situação muito, muito delicada, pois é um filho o protagonista!)
    Parabéns à mãe! Obrigada pelo ensino.

  • Amanhã (hoje), tem Clube da leitura. Já estamos com apenas 4 horas de diferença. Bora esperar o despertador tocar para não perder a hora. Tive uma experiência de Clube da leitura em São José do Rio Preto (morei lá 17 anos antes de vir para a Espanha). Uma vez por mes, reuniam-se umas senhoras em uma casa muito linda, cheia de flores, acolhedora. Elas se reuniam para ler e trocar experiências à partir das leituras. Tudo regado a um bom chá. Parecia que eu entrava em uma máquina do tempo quando estava ali. Quando estamos juntas, antes que você entre no ar, a impressão que tenho é que estou lá. Meu professor Alexandre Mate de Artes do colegial me ensinou a amar a leitura e meu primeiro Mestre foi Ignácio de Loyola Brandão. Bons tempos…Beijos.

  • Boa tarde, eu senti essa ira esses dias, deu vontade de falar tanta coisa pra essa pessoa, tanta coisa, que ia falar até besteira, e não ajudaria em nada, só ia tornar algo ainda pior. Parei pensei melhor, vou deixa que tempo vai mostrar erro que está fazendo.
    Deus abençoe.

  • É verdade. É praticável. E faz a vida ser mais leve e menos estressante. O perdoar nos traz paz. Gostaria de acrescentar que há pessoas que devem também aprender a perdoar a si. Há pessoas tão rígidas que sentem tanta raiva de si que acabam sabotando suas próprias vidas.

    • Perdoar a si mesmo certamente é muito importante, bem lembrado! 😀

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