Parece uma pergunta boba, mas se pararmos para pensar, veremos que não são poucos os que, na prática do dia a dia, pensam assim. Esse é o assunto de hoje.

Se todo mundo rouba, podemos roubar também?

Um dos comentários que fiz no JR Dinheiro, quadro semanal que apresento no Jornal da Record, foi sobre a devolução do Auxílio Emergencial do governo.

Aliás, para quem não sabe, estou todas as segundas-feiras no Jornal da Record que começa às 19h45, assistam! 🙂

Os comentários são bem diretos ao ponto, então, vou até compartilhar aqui para quem não viu.

O objetivo do comentário é informar sobre as fraudes e como não responder criminalmente por elas.

Porém, em um país onde as pessoas que não gostam da mensagem querem matar o mensageiro, tivemos que lidar com uma série de comentários como estes:

“Você manda o povo devolver, mas por que não manda os políticos devolverem o que roubam?”

“Eu tenho um irmão doente que tem que trabalhar na roça e recebo só a pensão da minha filha. Os políticos vão devolver também?”

“Eu não sou mãe solteira, mas meu marido não ajuda em nada. Não vou devolver os 1.200 porque preciso do dinheiro, não estou nem aí!”

“Vai falar contra os ladrões de Brasília, minha filha. Faz uma coisa útil.”

Nesses comentários dá para perceber várias coisas, por exemplo:

Que há pessoas que realmente não têm o mínimo de entendimento do papel de uma notícia e de quem a traz ao público.

Quem dá a notícia apenas reporta um fato, por isso a função chama-se repórter: alguém que reporta ou informa algo. A conclusão fica a critério de cada um.

Outra coisa é acharem justo que, se tem gente roubando muito, por que eu não poderia roubar pouco?

Ou seja, se todo mundo rouba, por que não posso me apropriar de algo que preciso?

Bem, eis aqui uma verdade incômoda:

Todo corrupto tem uma justificativa para a sua corrupção.

O que se apropria de um auxílio ao qual não tem direito, justifica o ato alegando falta de recursos, falta de ajuda ou porque há quem “roube muito mais”.

O político corrupto, com sua mente doente e cauterizada, se acha melhor do que os outros e rouba para garantir aos seus um futuro melhor que o dos outros. Afinal de contas, se ele não zelar pela sua família, que vai?

Eles não se acham bandidos, mas se acham merecedores por algum motivo.

É um pensamento absurdo, mas que em uma cabeça doente, faz sentido.

Portanto, não importa se o seu vizinho ou a rua inteira rouba energia elétrica e só você é o “trouxa” que paga.

Não importa se há pessoas no seu bairro que não precisavam receber o auxílio, mas sacaram e fizeram festa com churrasco e cerveja.

Não é porque a justiça dos homens não enxerga as injustiças que todos podemos agir injustamente.

Precisamos cuidar da nossa vida, sermos responsáveis pelos nossos atos e parar de justificar erros apontando pecados maiores.

Lembre-se do que a sua mãe dizia: “você não é todo mundo.”

 

Nos vemos!

 

Jornalista, especialista em finanças e autora de 5 best-selleres. Colunista do portal R7 e apresentadora do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

  • Dona Esther, minha mãe sempre falava isso: “você não é todo mundo.” Quanto apendizado em tão poucas palavras.
    Continue sendo você mesma Patrícia, levando informação e conhecimento.
    Quem tem ouvidos para ouvir, ouça! – Lc 8,4-15
    Beijos

  • Pois é andamos na contramão do mundo, onde quem quer fazer o certo já se torna errado!

  • Boa noite! Pois é! Aqui na cidade onde moro os filhos de um candidato a Prefeito pediram o auxílio, quando descobriram e veio a público, o pai pediu desculpas por eles e disse que devolveriam, um dos filhos é candidato a vereador, imagina se uma pessoa dessa vence as eleições? Um grande abraço!

  • E verdadeiro. Porque roubam não devo roubar também.
    E uma desculpa.

  • Que vergonha esse comportamento de muitos, muito triste Patrícia e revoltante ao mesmo tempo quando li esses comentários.

    Ontem fui ao supermercado e passei no caixa as minhas compras sozinha e passei 2 produtos que registraram um valor inferior ao que estava marcado na prateleira, imediatamente chamei a assistente de caixa para corrigir o erro, e ela me agradeceu por ter falado, agora você imagina, eu poderia ver e ficar quieta e pagar a menos, pois eu sairia “ganhando” aparentemente, mas a minha consciência não me deixaria ficar em paz.
    Outro exemplo que aconteceu com meu esposo e que acho que vale a pena partilhar só para você ver como esse mundo anda.
    Um cliente ligou pra ele e perguntou se ele sabia mexer na quilometragem do carro, e ele respondeu que sim, então o cliente disse que precisava levar o carro para que ele adulterasse os quilómetros pois precisava vender o carro e o mesmo estava muito rodado.
    Olha até que ponto uma pessoa chega?

    Meu esposo imediatamente disse que isso ele não fazia.

    Quando ele me contou fiquei muito passada Patrícia, muito mesmo e achei certo ele não aceitar esse tipo de proposta, mesmo que ele fosse ganhar pelo serviço.

    Todos os dias somos tentados a enganar, defraudar, tirar vantagens, omitir, mentir, mas cabe a cada um escolher fazer o que é o certo, independente do que o mundo inteiro esteja fazendo.
    #NÃOFAÇOPARTEDAMANADA

  • É muita inversão de valores! As pessoas querem justificar o injustificável! Porque na lógica delas está certo se apropriar do que não lhes pertence, não lhes cabe o direito. Que sociedade é esta que estamos construindo!!!?? Abominável esse conversinha de que ” todo mundo faz” e por isso vou fazer.

  • Bom dia,
    Cansa, cansa mesmo ter que lidar com quem justifica seu erro acusando os outros. Chamar a responsabilidade a si mesmo é o que conta. Faço isso porque como “a mãe dizia: Você não é todo mundo!”

  • Oi as coisas estão muito caras. Arroz, feijão, óleo, etc. Eu queria que vc Patrícia fizesse um post falando sobre isso. Dando sua opinião e ensinando como lidar com essa situação.

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