Empresária de Curitiba indignada pela abordagem da fiscalização municipal que a impediu de vender on-line é aconselhada pelo prefeito a guardar sua revolta. Do R7, especialmente para o nosso blog, confira!

 

Não guarde sua indignação, ela é tudo o que você tem

O caso da empresária curitibana Elisa Ruppenthal viralizou na internet com a postagem de um vídeo onde ela desabafa sua indignação após abordagem de fiscais em uma de suas três lojas de calçados.

Elisa estava com todas as lojas fechadas para o público, de acordo com o decreto municipal.

Porém, fez de uma delas seu escritório para vendas on-line.

Não havia nenhum funcionário no local, a empresária trabalhava sozinha atendendo telefone e despachando pedidos para tentar salvar seu negócio e não ter de demitir mais nenhum funcionário.

A vitrine à vista com o número do WhatsApp da empresária chamou a atenção de fiscais, que apareceram com a polícia ameaçando multá-la, caso não fosse para casa.

Elisa explicou que estava ali sozinha, atendendo pedidos por telefone e internet, mas a fiscalização foi implacável e pediu o alvará para vendas on-line, coisa que a empresária nunca teve, pois não era esse o seu ramo de atuação.

Tratava-se apenas de uma forma de não quebrar de vez o negócio que vem mantendo, dentro das leis, há 20 anos.

Os fiscais, escoltados pela polícia municipal, determinaram que Elisa tinha apenas o tempo de eles irem até a esquina para fechar a vitrine e voltar para casa.

Sem ter outra saída, ela acatou a ordem e foi para casa, mas não ficou calada. Elisa postou um vídeo em seu Facebook que viralizou e chegou ao prefeito de Curitiba, Rafael Greca (Democratas).

Porém, pior que a ação dos fiscais foi o comentário do prefeito na publicação de Elisa.

“Guarde sua revolta contra o vírus que mata. Está pesado mas #VaiPassar” , escreveu o prefeito, que diz ter consultado os fiscais e, obviamente, recebeu uma informação diferente do relato de Elisa.

Greca minimiza o caso dizendo que a empresária “não foi nem sequer notificada”, ora, mas ela seria notificada por qual razão, afinal?

O fato é que, no mesmo dia em que o prefeito postou seu comentário em tom de “cala-boca”, o presidente Jair Bolsonaro telefonou para Elisa desculpando-se por sua impotência e sensibilizando-se com a dificuldade da empresária.

Elisa, mais uma vez, não guardou sua indignação e resolveu gravar um segundo vídeo contando sobre o telefonema e resumindo o que o empresariado brasileiro precisa:

“Alguém que nos dê atenção.”

Mais uma vez a história viralizou e, no dia seguinte, o prefeito Rafael Greca baixou um decreto autorizando todos os comerciantes de Curitiba que não têm alvará para e-commerce (ou que está para vencer) a fazer vendas on-line durante o período de pandemia.

Não é papel do presidente?

Apesar de alguns acharem que não é papel do presidente da república ficar telefonando pessoalmente para as pessoas, uma coisa é certa:

Aquela ligação foi o gatilho que levou o prefeito do #VaiPassar a fazer alguma coisa enquanto não passa.

Estamos em tempos que qualquer arbitrariedade se tornou “ação para salvar vidas” e que o único inimigo que temos é o “vírus que mata”.

O prefeito foi obrigado a agir para não passar mais vergonha, e foi a indignação de Elisa que deu início a uma ação que beneficiou todos os empresários da cidade.

Indignação resolve sim, e guardá-la apenas beneficia governantes que detestam que suas irresponsabilidades sejam expostas.

Mas ainda falta muito.

Falta que as autoridades parem com o discurso hipócrita de que se importam com a vida dos cidadãos e que efetivamente comecem a trabalhar em prol daqueles que:

  • Perderam seus empregos
  • Estão com os filhos em casa sem ter o que comer
  • Têm crianças e adolescentes que irão perder o ano letivo por não terem computador com internet banda larga para acompanhar as aulas on-line.

Falta muita coisa, inclusive, mais indignação por parte da sociedade que está se comportando, em boa parte, como crianças amedrontadas, acreditando que sair de casa é sinônimo de caminhar para a morte.

Não devemos nos calar, não devemos guardar nossa indignação e não podemos cair na conversa de que nosso único problema é um “vírus que mata”.

Corrupção mata, irresponsabilidade na administração pública mata e ficar calado vai matar um dos nossos poucos direitos como cidadão.

#NãoGuardeSuaIndignação.

 

Jornalista, especialista em finanças e autora de 5 best-selleres. Colunista do portal R7 e apresentadora do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

  • Infelizmente esse é o mesmo prefeito que chora na televisão derramando seu amor por Curitiba, mas em relação ao vírus tem dado algumas boas mancadas.
    Curitiba é uma cidade excelente, mas às vezes a falta de noção impera aqui.

    • Amo Curitiba, o que faz a indignação ser ainda maior. Essa cidade merece mais!

  • Uauuuuuuuuu! è tudo que penso, como ficar calados diante de tamanha afronta de autoridades, com viés comunistas.
    O povo precisa agir, antes que eles nos acorrentem dentro de casa.

  • Adorei!!!

    Bjo de Portugal. Muita força para vocês aí no Brasil!

    Abraço gigante,
    Rute

  • Essa publicação foi top, parabéns que todos abram os olhos e tomem uma atitude.

  • “Não guarde sua indignação, ela é tudo o que você tem”.Foi a melhor frase que eu já ouvi esse ano e combina muito comigo. Falo mesmo!

  • Bom dia!
    Parabéns à empresária Curitibana!
    Quanto a mim, sexta feira passada houve um incêndio no prédio onde resido, exatamente no andar onde eu moro.
    Tragédias à parte, hoje já é quinta feira, a perícia ainda não apareceu por lá, não há autorização para recolher os escombros e devido ao cheiro forte (foi um in-cên-dio!), não consigo voltar para casa. Já vai completar uma semana que estou hospedada na casa de uma amiga e, pasmem: “ainda não há resposta!”. A justificativa: “burocracia”.
    Pronto, falei!

    • Que absurdo…. é um descaso total. Que burocracia pode haver diante de um quadro desse? Não sabem o que significa prioridade. Mas mandar fiscal quando alguém denuncia um comércio mesmo sem razão não leva 10 minutos…

  • É isso que eles querem …nos calar. Ainda bem que temos as redes sociais para nos fazer serem vistos em qualquer lugar do país e pedir socorro. Mesmo longe alguém pode nos dá uma mão. E manter nossa fé em Deus viva nos faz ser mais fortes todos os dias para enfrentarmos o inimigo que tenta nos derrubar. Obrigada Patricia por nos engrandecer com sua palavras!

  • Li em voz alta e repeti a leitura. Muito bom. Esse é sem dúvida, um dos bons papéis das redes sociais. Parabéns a Curitibana que representou muito bem o povo. Beijos da Espanha pra voces.

  • Gostei da atitude da empresaria.

    Achou meio de contestar a injustiça, mas sem desacatar a ordem dada o que foi inteligente da parte dela.
    Por vezes usamos a indignação passando uma má mensagem, perdendo a razão… indignação não nos dá o direito de agir de forma errada.

    Ela provou que tem como não aceitar a injustiça, e fazer algo em prol , sem rebeldia.

    • Exatamente! Quem quer ganhar no grito perde a razão e o direito. Ela foi inteligente e teve um retorno maior do que podia imaginar. Demais!

  • Olá Pati!
    Que post excelente, como sempre 🙂
    Moro no interior de Minas, uma cidade com 40 mil habitantes e um comércio que já vinha defasado antes da pandemia.
    O nosso “querido” e irresponsável prefeito, mandou fechar o comércio, sem nem mesmo termos casos de covid cidade, lá no inicio de março.
    Em maio, ainda de comércio fechado e cidade praticamente parada, os casos começaram a surgir. Agora que seria o momento de frear um pouco o comércio. Mas o querido prefeito não fez isso.
    Infelizmente, muitas lojas fecharam de vez. Temos mais de 200 pessoas desempregadas, e não existo plano de retomada do comércio. A prefeitura já recebeu certa de 5 milhões de reais do governo do Estado e adivinha? Nada foi feito com esse dinheiro. Virou fumaça, ou gado, como diz o povo.
    Queria que aqui tivessem mais empresários como essa de Curitiba. Mas até o momento, nada foi feito, infelizmente.

    • Estão torcendo para que a presença do vírus se prolongue para continuarem com a roubalheira. Mas, é claro, tudo isso para “salvar vidas”…

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