Desafio da Baleia Azul: precisamos falar sobre isso

Você certamente já ouviu falar do “joguinho” da Baleia Azul, mas você sabe o que realmente significa? Tem ciência de que vários jovens já morreram por causa dele? Saiba mais e fique de olho nessa peste que está se alastrando.

baleia-azul-1

Primeiramente vamos deixar algo bem claro: o jogo existe e já foram confirmadas pelo menos duas mortes causadas por ele.

Segundo: este post é longo sim, e se você tem preguiça de investir alguns minutos na leitura é sinal de que seu filho está valendo muito pouco. Desculpe, mas dá muito mais trabalho para escrever do que para ler e eu – que não tenho filhos e nem trato desse tipo de assunto – me dispus a investir mais de duas horas para ler, pesquisar e preparar este material. Minha parte está feita!

Há mais de 130 casos de suicídio na Rússia que estão sob investigação com fortes indícios de que o jogo também foi o causador de várias dessas mortes. Não acredite que é mais uma lenda urbana, pois isso é real e está mais perto do que você pode imaginar.

Isso porque o jogo está literalmente nas mãos de crianças e adolescentes, pois chega por meio de convites via WhatsApp ou para participar de grupos fechados no Facebook. Seu filho tem um smartphone ou acesso à internet por qualquer meio que seja? Então o jogo está muito perto dele.

COMO FUNCIONA

Depois de aceitar o convite para “jogar”, a criança ou adolescente terá um “curador” que vai acompanhar todo o processo. É esse curador quem enviará diariamente – durante 50 dias – os desafios. Fiquei estarrecida ao ler na revista Capricho (matéria “Blue Whale: o jogo do suicídio que está se tornando um viral”) a seguinte frase:

“As primeiras missões parecem inofensivas, como acordar em horários específicos durante a noite, assistir a filmes de terror e ouvir sem parar uma música que te deixa triste.”

Fiquei me perguntando: fazer uma criança ou adolescente acordar durante a noite em horários específicos é mesmo algo que parece inofensivo? Pense bem: é uma pessoa controlando o seu filho, dizendo a ele os horários em que ele deve acordar enquanto todos dormem e, em contrapartida, seu filho obedecendo alguém que nem sabe quem é. E desde quando parece inofensivo ouvir sem parar uma música que te deixa triste? O jornalismo realmente perdeu o bom censo… #vergonhaalheia

A questão é que o maldito jogo tem regras: cada desafio tem que ser fotografado e postado no grupo fechado ou enviado via WhatsApp como prova para o curador. Outra: entrou não pode mais sair. E também consequências: não obedeceu, sua família sofrerá o dano. Nas redes sociais é muito fácil conhecer os membros da sua família, pois você mesma os classificou como mãe, pai, irmão, primo, filho etc. O curador começa a ameaçar o jogador que não envia os desafios no prazo e força-o de forma ameaçadora a continuar as tarefas diárias.

Um dos desafios é “esculpir” uma baleia no braço. Assim mesmo como se vê na foto abaixo: cortando a pele. Inofensivo, né? É só uma “forma de expressão” dos adolescentes, né? É só um jogo, né? #sqn

whale_destaque

Veja alguns dos malditos desafios que só podem ter saído do fundo do inferno…

Desafio 1 – Com uma navalha, escreva a sigla “F57” na palma da mão e em seguida envie uma foto para o curador

Desafio 10 – Acorde às 4:20 da manhã e suba em um telhado, quanto mais alto melhor

Desafio 16 – Faça algo doloroso, machuque-se, fique doente

Desafio 26 – O curador indicará a data da sua morte, e você aceitará

Desafio 28 – Não fale com ninguém o dia todo

Desafios 30 a 49 – Todos os dias, você deve acordar às 4:20 da manhã, assistir vídeos de terror, ouvir a música que o curador enviar, fazer 1 corte em seu corpo por dia, falar com uma baleia (outro participante do jogo). Durante o intervalo dos desafios entre 30 e 49 (ou seja, fora isso, haverá outros desafios nesses dias)

Desafio 50: Tire sua própria vida

Eu estou simplesmente revoltada com esse jogo mesmo não tendo filhos e nem sobrinhos pequenos. Mas sabe o que me deixa mais triste ainda? É receber inúmeras mensagens de mães com os seguintes dizeres:

  • Tenho uma bebê de 4 meses. Estou fazendo faculdade e quero começar a trabalhar “ontem”, nem que seja para ganhar um salário mínimo, pois quero que minha filha tenha orgulho de mim vendo que sou trabalhadeira.
  • Meu filho não me dá trabalho, é da escola para o quarto dele e vice-versa. Fica o dia todo no computador, tem que ver como ele sabe manejar bem aquilo! Então posso me dedicar ao trabalho e ganhar mais para dar a ele um futuro melhor!
  • Deixo meus filhos com minha mãe para poder trabalhar e estudar. Meu marido também trabalha e faz faculdade. Minha mãe já é idosa, mas adora ficar com eles e é claro que eles também adoram. Sabe que avó deixa os netos fazerem de tudo, né?

Não estou aqui para julgar ninguém, não tenho mérito para isso, mas eu tenho bom censo e tenho vontade de responder o que vou dizer abaixo…

  • Você vai estudar e trabalhar para que sua filha tenha orgulho de você? Orgulho daquela pessoa que ela mal vê? Daquela que não tem tempo para dar papinha, para trocar fralda, para ensiná-la o certo e o errado nem sequer uma vez por dia? Que vai chegar em casa exausta, com trabalho da faculdade para fazer, casa para arrumar, roupa para lavar e sem energia para ser mãe? Daquela que a trocou por um salário mínimo? Será?
  • Seu filho não lhe dá trabalho porque arrumou outra coisa para suprir suas necessidades. Você pode se dedicar ao trabalho e dar um computador mais potente para ele, um smartphone de última geração e tudo mais que ele quiser, assim ele vê a Baleia Azul em altíssima definição e você nem vai ser incomodada, pode continuar se dedicando exclusivamente ao trabalho. Afinal, dinheiro é tudo na vida!
  •  Avós adoram ficar com os netos, não duvido disso. Mas não deveria caber à elas a tarefa de educá-los, ainda mais em um mundo digital que elas certamente dominam pouco ou nada. Se o seu filho tiver qualquer problema, você vai poder culpar sua mãe ou tentará se convencer de que foi coisa do destino? Enquanto você preenche seu tempo trabalhando, estudando e vivendo a sua vida, alguém vai preencher o tempo do seu filho.

Desculpe se ofendo alguém ou se pareço injusta com as mães, não é minha intenção. O objetivo deste post é abrir os olhos de mães e pais, que em muitos casos, não pensam duas vezes antes de preencherem todo o seu tempo sem incluir os filhos em suas agendas abarrotadas de compromissos pessoais e profissionais.

Eu sei que hoje as despesas são inúmeras e que criança gera mais despesas ainda. Sei que não basta só o pai trabalhar e que a mãe também precisa estar no mercado de trabalho, mas devemos colocar na balança se realmente compensa pais e mães saírem de casa às 7h da manhã e só voltarem às 23h porque estão trabalhando e estudando em nome de um suposto “futuro melhor”.

Se você teve um filho, você é responsável por ele e precisa abrir mão de coisas menos importantes para poder educá-lo de verdade, dar atenção a ele, tempo, conhecer o mundinho em que ele vive (isso não cabe à escola, à creche, aos avós, nem às babás). Você não tem mais condições de ter uma vida igual à de quem não tem filhos. Você não é mais dona de 100% do seu tempo.

Lembre-se: dinheiro nenhum nesse mundo vai preencher o espaço vazio dos pais na vida de um filho. E nem vai preencher o espaço vazio dos pais de um filho que tirou a própria vida.

É um texto legal de se ler? Não, não é. Mas espero ter feito a minha parte.

Jornalista com atuação no Brasil, Inglaterra, Argentina e Israel. Autora do best seller Bolsa Blindada e palestrante na Universidade de Harvard.

Categoria: Crianças
  • Deborah Lima diz:

    Olá Patrícia, adorei o tema e pegar na ferida! Eu tenho uma filha de quase dois anos. Larguei uma carreira promissora dentro de uma multinacional, fiz uma transição de carreira para algo que eu pudesse estar literalmente ao lado dela. Hoje trabalho mais como empreendedora, a batalha é maior, o dinheiro é menor… Mas eu sei 100% o que acontece na vida da minha filha… Hoje ela fica em uma escolhinha semi integral (10 h as 17 h) que é a hora que me dedico a atender pessoas, e dois dias da semana as avós buscam para mim, mas sei o que ela come, o que ela veste, como esta a saúde dela, uma palavra nova. Sou muito participativa na escolinha, eu e meu marido estamos em todas as reuniões… inclusive ele chega sim atrasado no trabalho para ir em pediatra e reunião de escolinha, pq deveria ser diferente?

    Fácil não, nem um pouco… mas a responsabilidade é minha, planejei muito a vinda da minha filha e hoje tenho estrutura para bancar esta nova vida… Parabéns,

  • POLIANA ALBIERO diz:

    Perfeita, o teu comentário sobre educação dos filhos realmente é o que ocorre nos dias atuais, tenho dois meninos, um já adulto bem definido na carreira, o outro tem 8 anos. Dedico o meu tempo quase integral na educação dele,(larguei a minha carreira) trabalho em casa e faço nas horas que ele está na escola, nas tarefas domesticas procuro sempre envolver ele junto, fazemos e conversamos, claro que demora bem mais se tivesse livre, mas vale o que não foi feito terminamos no outro dia. Vejo como é gratificante poder ajudar no crescimento do meu filho, na educação, no entendimento do mundo, nas suas tristezas, alegrias conflitos, enfim acho que educar é tornar a criança confiante no que recebeu como valores, o que leva a ser um homem do bem. Um abraço. Poliana

    • Patrícia Lages diz:

      Parabéns, Poliana! 😘

  • Flávia Luiza diz:

    Patrícia, que Deus continue colocando palavras poderosas em suas mãos. Concordo com seu post. Que os pais aproveitem os feriados para viverem dias inesquecíveis com seus filhos e o dia a dia para serem PAIS E MÃES, porque é disto que esta geração está precisando – de FAMÍLIA!!! Que Deus abençoe as famílias!! Um grande abraço.

  • Paula diz:

    Olá Patrícia, não tenho filhos mas estou pensando em ter e este post me ajudou muito a refletir sobre algumas coisas. Parabéns pela iniciativa de alertar os pais, como sempre muito coerente suas palavras. Obrigada

  • Rosimeti diz:

    Parabéns pela sua colocação .concordo plenamente

  • Patricia Alvarenga de Albuquerque Abuquerque diz:

    Parabens, nem sempre falar a verdade é agradavel, mas muitos precisam ouvir e entender.

  • Isabela de Oliveira diz:

    Paty, muito obrigada! Aqui em casa somos 03 filhos, tenho 20, minha irmã 15 e meu irmão 09, e eles ficam muuuuuito tempo nas redes sociais e jogos, e por darmos muito carinho, principalmente ao caçula, achamos estar tudo sob controle, e esse post me abriu os olhos, vou mostrar minha mãe e trabalhar pra mudar esses hábitos!

  • Ana Claudia Flor diz:

    Foi amelhor coisa que li, hoje, acerca deste Desafio demoniaco da Baleia Azul.

  • Fátima Marajó diz:

    Excelente artigo! Deixei de trabalhar fora para cuidar de meu filho, hoje com 12 anos. Para ajudar meu marido nas despesas faço artesanato e costura em casa. Me sinto feliz em poder participar das vida de meu filho.

    • Patrícia Lages diz:

      Você priorizou o mais importante, parabéns!

  • Morgana Silva da Cruz diz:

    Excelente Post! Valeu a pena ler e refletir questões tão pertinentes em nossa sociedade. Sou professora, não tenho filhos, mas consegui ver muito claro vários pais nessas situações: trabalho, estudo, avós responsáveis por netos em todos os sentidos, na qual deveriam apenas se preocupar em brincar com eles e preparar aquele bolo de chocolate bem gostoso e apenas curtir. Temos sim que reavaliar e saber dosar todos esses compromissos, não dar essas responsabilidades aos avós e cada pai e cada mãe assumirem verdadeiramente seus papéis, que estão bem invertidos. Principalmente em caso de adolescentes que precisam de uma supervisão mais intensa, diante de comportamentos reais e virtuais.
    Parabéns Paty pela iniciativa.

    • Patrícia Lages diz:

      Obrigada pelo comentário! 😘

  • Cris Miranda diz:

    Muito oportuno é bem colocado!! Valeu Patrícia!!

  • Francisca Silveira diz:

    Muito boa a sua colocação Paty, eu tive uma filha aos 16 anos, na época terminei a escola, trabalhava e ela ficava na escolinha o dia todo, não tinha tempo para ela. Enfim, hoje ela tem 15 anos, e me cobra todo o tempo que eu não dei á ela, casei novamente e ela ficou com minha mãe pois eu trabalhava e estudava na época.Não é fácil, hoje luto para reconquistar o amor dela, porque o respeito já foi há muito tempo….

  • S Daniel diz:

    Parabéns pelo Post, e se agradece ! E se expressa que se despercebe haver sucesso inerente ao Individuo suficiente para compensar o fracasso de um lar. E a proposito, a tatuagem de baleia denotada parece também uma cobra de boca aberta, enrolada, e com o ponta de seu rabo aparecendo(guizo). Educação digital de maneira simples, ética e eficaz, pode se representar redução de questões sociais a se resolver, bem como se adquirir Bem Estar social por se ter a tecnologia atual como protagonista deste mesmo Bem Estar citado. Bom Dia !

  • Carla Fernandes diz:

    Muito bom ler essas palavras de alguém tão influente como você, Paty! As coisas hoje em dia nos atacam sem nem mesmo sairmos de casa, e precisamos estar informados e alertas pra preservar nosso maior bem desse mundo cada vez mais difícil de viver, que é a nossa família. Parabéns pelo texto! 👏👏👏 Deus a abençoe!

  • Lívia de Oliveira Bringel diz:

    Paty,tudo bem?
    Meu bebê tem seis meses e abri mão de trabalhar pra cuidar dele, somente meu marido está,e estamos passando apertado os meses, mas sei que é o melhor pro meu filho,parece que estamos perdendo no primeiro momento, mas os benefícios desse sacrifício virão a longo prazo,

    • Patrícia Lages diz:

      Eu creio que os benefícios serão bem maiores do que qualquer benefício financeiro!

  • Fatima diz:

    Penso da mesma forma, viu? pensei nisso ha alguns anos em deixar algumas coisas de lado e prioriza a vida da minha pequena…. e assim penso até hoje quando preciso sair para resolver algum problema de trabalho e tenho que a deixar… por mais que tenha o pai, meu esposo que muito me ajuda e me apoia, mãssss,,, mãe é mãe ne?!

    Obrigada pelo seu desprendimento e fazer esse alerta… é importante nos dias de hoje por que pra trazer uma vida melhor para nossos filhos acabamos os anulando em busca do dinheiro. Muito obrigada

  • Débora C. diz:

    Parabéns. bom texto e explicativo. Não tinha consciência de que a coisa estava tão feia. Recebi um vídeo hoje no facebook, de pais junto com alguns profissionais simulavam situações com os filhos marcando encontros com alguém que supostamente conheceram na internet e na verdade era com os pais . O absurdo eram os adolescentes irem aos encontro das pessoas que nem conheciam em qualquer lugar. Creio que as redes sociais estão se tornando algo muito violento para essa geração sem controle

    • Patrícia Lages diz:

      Eu vi algo parecido, onde os pais diziam que os filhos jamais iriam ao
      encontro e depois se supreendiam ao ver que foram sim!

  • Mislene diz:

    Bom dia, Patrícia!

    Sabe que vc tem razão…..eu ontem a noite disse pros meus filhos que hoje não iria pra casa depois do trabalho (como de costume), porque tenho prova na faculdade e ia ficar estudando, mas depois de ler esse post, digo sim eu vou sim pra casa ver meus filhos e depois vou pra faculdade fazer minha prova, se for bem na prova ótimo se não for dane-se, primeiro vou ver meus filhos e a faculdade fica pra depois.

    • Patrícia Lages diz:

      Se você conversar e contar que fez esse esforço para estar com eles e que eles são mais importantes que a nota da prova, tenho certeza de que seus filhos ficarão super felizes! 😀

      • Mislene diz:

        Tenho cta disso!!! 🙂

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