Geração nem-nem e desalentados: para descrever a situação de uma porcentagem importante dos brasileiros é necessário até mesmo a criação de novos termos

Ampliação da geração nem-nem e dos desalentados

Esse post foi publicado primeiramente na minha coluna do R7, que você pode acessar clicando aqui. Acompanhe.

 

A expressão geração nem-nem é utilizada para definir jovens que nem estudam e nem trabalham.

Enquanto o termo desalentado se refere ao desempregado que desistiu de procurar emprego.

Reunindo os termos, uma terceira denominação vem surgindo: geração nem-nem-nem, que representa as pessoas que nem estudam, nem trabalham e nem estão buscando colocação no mercado de trabalho.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 11 milhões de pessoas, entre 15 e 29 anos, se enquadram na denominação nem-nem.

E mais de 25% dos desalentados estão na faixa dos 18 aos 24 anos.

São números impactantes em si mesmos, mas que chegam a ser ainda piores quando nos lembramos que se tratam de pessoas em idade escolar e em início de carreira quando, supostamente, deveria ser uma época de grande motivação.

Um estudo desenvolvido pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), apontou que 28% das pessoas (entre 15 e 29 anos) não pretendem retomar os estudos quando escolas e faculdades reabrirem.

Outro dado revela que, dos mais de 33 mil jovens que responderam à pesquisa, 50% têm dúvida quando à prova do Enem.

Ou seja, estamos diante de uma população com menos de 30 anos de idade que se mostra cada vez menos interessada, pois nem estuda e nem pretende estudar, nem trabalha e nem pretende trabalhar.

Diante disso, será que teremos de criar a expressão “nem4”?

Mas a pergunta é:

Como uma geração que se diz empoderada e cheia de atitude pode viver sob o cabresto da vitimização?

Afinal de contas, só quem se julga vítima da sociedade, do sistema ou seja lá do que for, consegue alcançar esses níveis de desânimo, desesperança e desencorajamento.

E é disso que os espertalhões de plantão se alimentam: dependência.

O que mais se vê são partidos políticos prometendo resolver os problemas de todo mundo, como se realmente tivessem a intenção de fazê-lo.

Porém, é só comparar a situação em que estamos com a quantidade de promessas já feitas para saber que a imensa maioria delas não passou de meras palavras.

Até quando ouviremos discursos empoderados, mas vazios de atitudes?

Até quando veremos pessoas jovens, com uma vida inteira pela frente, empacadas e inertes diante de uma sociedade que as vitimiza o tempo todo?

E mais: até quando as estatísticas classificarão como “jovens”, pessoas com quase 30 anos de idade?

Não que sejam velhos, obviamente, mas não muito tempo atrás, um adulto de 29 anos já tinha batalhado bastante para ter condições de cuidar de si mesmo e, muitas vezes, da própria família.

As gerações anteriores foram ensinadas a “se virar”, sem esperar que alguém fizesse isso por elas.

Mas a estratégia da vitimização tem imbecilizado a muitos e atrasado a vida de quem poderia estar bem mais à frente se acreditasse em si mesmo e parasse de depender dos outros.

Porém, a “indústria da dependência” lucra alto, logo, quanto mais “clientes”, melhor.

Nos vemos amanhã!

 

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Jornalista, especialista em finanças e autora de 5 best-selleres. Colunista do portal R7 e apresentadora do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

  • Acredito que isso é principalmente ocasionado pela desestrutura familiar. Os valores que eram passados pela família hoje é terceirizada a escola, a internet, a qualquer outra opção. Eu cresci sendo cahamada de vários nomes na escola. Eu e 99% das pessoas. Independete da cor, peso, gênero e etc. sempre houve e infelizmente sempre haverá este tipo de situação. MAs eu nunca faltei a escola por isso. Eu tive que voltar e enfrentar. Na verdade eu nem me lembro de ninguém faltar escola por isso. Bullyng é horrível e deveria até ser realmente crime. Mas eu vejo pessoas vitimizando crianças: Ah minha filha não quer ir para a escola pois chamaram ela disso…e daquilo…Ah coitadinho do meu filho não consegue emprego deixa ele em casa no videogame…E por aí vai. Aí gera uma geração que não tem interesse de tentar trabalhar para sobreviver ao menos. Mas eu também quero falar de uma geração absurda que veio antes da nem-nem: a geração canguru que o pessoal achou super normal…Uma geração sem interesse de ter vida própria. Sem interesse de ter sua própria casa. O que isso nos mostra como pais? No outro post você sugeriu aprendermos com a formiga. Hoje gostaria de falar que devemos aprender com os pássaros. Mais um exemplo de que tudo que Deus faz é perfeito. Os pássaros assim que os filhotes estão prontos fazem o que? Empurram eles do ninho. E eles aprendem que podem voar sozinhos.

  • E além disso, como sobrevivem? Dependendo dos pais, que muitas vezes já aposentados, ainda têm suas aposentadorias reduzidas por esferas municipais, estaduais ou federais. Ainda mais nessa situação de pandemia.

  • Boa tarde!
    Bem verdade cada palavra desse post.
    Concordo que é bem assim que ocorre,infelizmente.
    Mas muitas vezes os próprios pais são responsáveis por isso acontecer com muitos jovens. Há coisas que o jovem é capaz de fazer, os pais vão lá e fazem por ele. Daí fica fácil, se tenho quem faça pra mim, porque vou correr atrás? Fico aqui esperando…
    Consequentemente o jovem para de sonhar, de correr atrás, de lutar para alcançar algum objetivo, fica trancado no quarto, no celular, video-game,etc etc. Aí muitas vezes ocorre o Suicídio. Não só fora das igrejas, como dentro delas também.

  • Comentário gigante hoje.

    Tem uma outra coisinha também, Paty. A super dependência de aposentados, tanto de filhos e netos. Deu pra perceber na pandemia gente reclamando que com a morte do pai/avô perdeu a ajudinha que o velho dava nas despesas. Pessoas com mais de 40 reclamando disso, sendo que eram pra estar mais encaminhadas na vida.

    Essa geração nem-nem tem pais e avós que não os deixam crescerem também, mães falando de síndrome do ninho vazio. A geração anterior fez seu êxodo dentro do Brasil, em busca de melhores oportunidades de trabalho, muitos vieram pra São Paulo, nos anos 70 e 80 e agora não querem que os filhos saiam de casa e ganhem o mundo.

    Essa é a primeira geração do bolsa família. Estamos começando a ver os resultados disso na sociedade.

    A esposa do meu primo não queria que ele fizesse faculdade. Mesmo assim, ele fez. Certo ele.

    Uma jovem que estava interessada no meu irmão disse que ela foi criada sem saber fazer nada dentro de casa e que era assim que as novas gerações estão sendo criadas. Falou isso se achando incrível. Mas, essa é velha, eu sei. Desde os anos 60 que estamos criando filhos que não sabem fazer nada com as mãos ou ofícios manuais não são bem vistos. Saber fazer um pão não é valorizado, por exemplo. Ou pregar um botão, pequenos reparos em roupas. Esses jovens poderiam começar por aí. No fim, quem salvou na quarentena foram as mulheres mais velhas que sabiam costurar e tinhas retalhos para fazer as primeiras máscaras.

    Uma vez ouvi uma história sobre o anel de formatura que não lembro onde e não tenho como confirmar se é verdade. Um dos símbolos do anel de formatura é o status que ele confere por mostrar que o filho não exerce uma profissão ou ofício manual. É aquela história. Tem muita gente com a mão áspera e calejada que carrega esse país nas costas mais do que os doutores com seus anéis e suas mãos macias, porém, incompetentes, corruptas, mergulhadas no vazio de uma vida sem sentido, preconceituosos, enfim. Ainda bem que tem muita gente boa também. Precisamos encontrá-las e valorizá-las.

  • Bem colocadas as suas palavras, mas, as donas de casa estão inclusas nessa categoria??

  • Boa tarde querida! Situação preocupante, confesso que desconhecia de tal problema.
    Um grande abraço! 😍

  • {Porém, a “indústria da dependência” lucra alto, logo, quanto mais “clientes”, melhor.} -Livramo-nos disso Senhor.
    Oi Patricia, tinha lido o post no R7 e fiquei aliviada: criamos os nossos aos moldes antigos. Os nossos filhos e os das minhas irmãs não fazem parte desta estatística.
    Um dos meus estuda em Curitiba, tem um terreno quitado e guardou dinheiro por 7 anos, para não ter que parar a Universidade (gratuita), mora em uma casa de estudantes que é paga, menos que o normal, mas tem custo. Este ano é Presidente dela. Ajudamos como podemos, para que não acabe suas reservas, pois não sabemos como será o dia de amanhã.
    O presente deles é sempre 1 por ano: liquidificador, pagar algo que ficou pendurado, um microfone para gravar audio book, uma passagem aérea para ver a namorada. São tão poucos que consigo lembrar de todos.
    O outro está em Londres, tem 3 empregos, fez faculdade, mas desistiu 3 vezes. O pai queria que terminasse os estudos, ficou inconformado e perguntei à ele: -você se casou formado em que???? Ele está fazendo diversos cursos que o agradam, não para de se especializar em algo.
    Bem…vida que segue, não somos perfeitos, pois também cometemos os nossos erros como pais “Graças a Deus”. Analisando cuidadosamente o texto é nítido e triste que estamos vivendo exatamente tudo que você escreveu.
    Boa noite e nos vemos amanhã. Como é rico esse desafio. Beijos.

  • Boa tarde! Trabalhar dá trabalho! Você tem que se especializar, correr atrás, acordar cedo, conviver harmonicamente com pessoas que muitas vezes não te agradam, tem que ter compromisso, disciplina, entregar resultados… E isso a maioria da nova geração não quer, pois foram acostumados a terem tudo na mão, na hora que desejam. Ouvir nãos, nem pensar! Então preferem ficar em casa dependendo dos responsáveis e da ajuda do governo o resto da vida. Parece que eles não tem aquele desejo que tínhamos na nossa época de sonhar em ter algo, correr atrás, conseguir e sentir orgulho da própria conquista.
    Infelizmente ainda virão muitos nem-nem por aí.

  • Oi Patrícia sou sua fã. Esse artigo me fez pensar, como mãe, o quanto errei a mão.

  • Bom dia!
    Graças a Deus que a minha mãe (tudo bem que isso há bons anos), me educou de forma a encontrar sim um trabalho, ainda que de baixa remuneração… e me cobrava diariamente se eu estava fazendo tudo direitinho…. eu estudei em escola pública, mas ela dizia que o dinheiro do material tinha que ser pago por mim! Até “inventei uma moda” – que deu certo! Eu pedia o valor inteiro dos livros ao meu patrão, que ia descontando um pouquinho por mês do meu salário… que alegria, que orgulho eu tinha de ir no setor da escola que comprava os livros diretamente das editoras, para pagar e retirar todos de uma só vez!
    E pensa que sobrava algum para eu me divertir? Sim: um cinema por mês, numa tarde de domingo! Eu amava tal independência!
    E não morri por isso…. nem matei a minha mãe…. eu era bem reclamona por conta dos limites que ela me impunha, mas deu tudo certo! Afinal, crescer dói, mas vale a pena!

  • Pura e dura realidade!!Meus pais se separaram e eu fiz a mala do meu pai. Eu só tinha 14 anos!! Com 12 anos, minha vizinha me pagou um curso de artesanato. Quando meu pai foi embora, as coisas apertaram em casa… então, eu fui com meu avô em uma fabrica de produtos em gesso, arrumei um dinheiro emprestado, comprei os materiais e comecei a pintar. Não existia Biscuit, era tudo feito com durepox!
    vendia tudo e dava o dinheiro total nas mãos da minha mãe para suprir as necessidades da casa. eu tinha 14 anos e tinha mais 3 irmãos mais novos que eu.
    Com 18 anos estava formada, e já trabalhando!
    Hoje tenho 44 anos, com uma família, dois filhos adolescentes, 2 faculdades e duas pós-graduação

    por 5 anos sustentei sozinha minha família por causa de uma crise financeira difícil do meu esposo e desemprego – a firma que ele trabalhava faliu e perdemos tudo (2 anos e meio)… mais tarde, outro desemprego e mais 2 anos e meio de provações e aperto.

    Cheguei trabalhar em 3 empregos de uma vez e gravida da minha filha mais velha – fazia tudo a pé porque não tinha carro

    oro por essa geração!!! tenho medo do futuro desses jovens!!!!

    • São as lutas que nos tornam fortes e realmente não sei o que será da geração que se deprime até com comentário em rede social…

  • Nem-Nem. Esse termo me preocupa,porém vejo que ele é um filho do novo modelo de educação(dar o que eu não tive) “sem julgametos”.
    Venho de uma família que criou 5 filhos com muitas dificuldades. Passamos muitas necessidades,mas minha mãe sempre lembrava que se quisessemos ter algo melhor que aquilo tinhamos que querer e coseguir.
    Isso nos ensinou a crescer.
    As 3 filhas mais velhas ajudavam com as despezas. Soube muito cedo o que é colocar comida em casa. Porem os 2 mais novos demoraram bastante a acordar pra vida,já que a deles foi um pouco mais facil. Mas isso nos ajudou a crescer, mesmo q antes da hora.
    Sabemos a necessidade de trabalhar, ter a nossa casa,pagar as contas, e não esperar de ninguém.
    Diz o ditado que quem acha cavalo não anda a pé.
    Quando ninguem fizer a geração Nem-Nem vai acordar.

  • O que me deixa mais chateada é que esse povo “nem-nem-nem” come, bebe e veste e alguém tem bancar esse custo….. e pior, não querem estudar, nem trabalhar e nem procurar emprego mas querem gastar.

    Outro dia vi uma reportagem exatamente sobre esse assunto onde um senhora morava em situação de pobreza com uma filha de 15 anos desencantada com a escola mas encantada com uma bebê de 3 meses que ela tinha parido….

    Deveria estar encantada com a responsabilidade de pelo menos tomar um anticoncepcional ou usar um preservativo fins evitar gerar uma vida que precisa de dinheiro (venha de onde vier) para comer e vestir….. E nem desculpas tem pra essa atitude porque o que mais essa geração “nem-nem-nem” sabe é como filhos são gerados e como evitá-los….

    • Eu creio que a dinâmica é reversa: eles são nem-nem-nem porque podem, ou seja, porque têm alguém que os banca, façam eles o que fizerem. E como essa mãe-criança ainda tem 15 anos, tem muito chão pela frente para se “encantar” com vários outros bebês…

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