Hoje não vamos falar sobre finanças, empreendedorismo ou produtividade. O assunto é esse vale-tudo nas redes sociais para que você analise se está fazendo parte dele sem perceber.

Será que o vale-tudo nas redes sociais pegou você?

Nos últimos dias vimos, mais uma vez, um vale-tudo por popularidade nas redes.

Algumas “regras” vão sendo instituídas de forma velada e muita gente entra na onda sem nem mesmo saber o porquê.

Agora, cada vez que uma pessoa conhecida morre, todos devem postar uma foto de si mesmo com o falecido e deixar claro que o conheciam ou que, no mínimo, estão “desolados” com sua partida.

Feito isso, podem voltar a postar fotos de comida, das férias, do cachorro e tudo mais que tiver vontade.

A “obrigação” já foi feita, agora, vamos em frente como se nada tivesse acontecido.

Sei que várias pessoas postaram com sinceridade, mas me arrisco a dizer que foi a minoria.

O que a maioria queria mesmo era não ficar de fora da onda.

Como sempre, o que as pessoas querem é fazer parte de algo, não ficar sobrando, não se sentir um estranho por não fazer o que todo mundo está fazendo.

O cúmulo da “carona no caixão alheio” foi ver que um corretor de imóveis nos Estados Unidos fez um vídeo cujo título promete mostrar os perigos de subir no sótão das casas…

Mas sabe o que é pior?

Pior é ver que o tal vídeo – que obviamente nunca irei assistir – alcançou mais de 1 milhão e meio de visualizações em apenas 2 dias.

Ou seja, as pessoas querem saber mais sobre o assunto, e por quê?

Será que é porque há um milhão e meio de pessoas pensando em comprar casa nos Estados Unidos, mas ficaram preocupados em cair do sótão?

Óbvio que não…

O que elas querem é simplesmente ter o que postar, ou seja, usar essas informações para bombar nas redes.

Bem triste…

Você está nessa onda?

Se você tivesse uma foto sua com a pessoa, será que também teria postado?

Caso sim, por quê?

Para fazer uma homenagem?

Para agradar a família em um momento de tristeza?

Ou seria apenas para não ficar de fora?

E antes que alguém pergunte: não estou citando o nome porque não quero que este post seja vinculado ao assunto.

Para quem não sabe, os algoritmos do Google rastreiam e classificam tudo o que é publicado conforme as palavras-chave e eu não quero surfar nessa onda.

Não escrevi esse post para bombar na audiência, caso contrário, teria escrito dias trás citando todas as palavras que estavam em alta.

O que eu quero é que você pense.

Você já deve ter criticado o sensacionalismo da mídia e das redes sociais, mas será que você não o tem alimentado?

Cada vez que você clica para ler mais uma fofoca ou para assistir mais um “babado”, você fortalece o sensacionalismo.

Muita gente me pergunta porque não tenho um milhão de seguidores no meu canal do YouTube e uma das respostas é essa:

Não faço – e nem vou fazer – sensacionalismo.

O vídeo mais recente hoje no meu canal traz dicas de como usar bem o 13˚ salário, mas quem quer saber?

Apesar de que mais de 60 milhões de pessoas estão com o nome sujo no Brasil, elas estão mais preocupadas com outras coisas.

O objetivo deste post poderia ser resumido em uma frase:

Se as pessoas PENSASSEM e parassem de seguir a manada, estaríamos vivendo em um mundo muito melhor.

Por isso, pense!

E como este é um site de finanças, vou encerrar com esta frase:

Pensar é de graça.

Nos vemos!

Jornalista, especialista em finanças, autora de 5 best-selleres, colaboradora dos programas Mulheres (TV Gazeta) e Escola do Amor (Record TV). Colunista do portal R7 e youtuber.

  • CONCORDO em tudo, antigamente era vale tudo pela fama hoje em dia é vale tudo pelo like, eu nao sigo essa onda, sigo o que acredito, e bem não agradamos a todos não e mesmo, o preço a ser pagar por não seguir o efeito manada

  • Boa tarde, a única menção que fiz como resposta na foto que uma amiga postou é que o admirava e lamentava.
    Após ler o seu texto realmente me vi nessa multidão.
    Obrigada pela dica!

  • Brilhante!
    Análise sensata e de muita clareza!
    Não faz muito tempo assisti em uma rede um comentário que retratava uma situação que me fez lembrar esse fato recente a que se reporta.
    Havia falecido uma pessoa muito conhecida também da televisão brasileira, e na ocasião uma outra “celebridade” bem menos “notória” e “notada” compareceu à cerimônia de velório lotada de pessoas, que dentre essas tantas algumas o reconheceram e pediram para tirar “selfie” com ele.
    Então imagine uma cena de uma criatura com sorriso “de orelha a orelha”, feliz e satisfeito porque estava dando autógrafos e tirando fotos com “fãs”, isso no mesmo ambiente do velório, tendo ao fundo, como cenário para as fotos o caixão com o esquife dentro…
    O que fazer com alguém que se apresenta com um comportamento desses, pelas caridades?

    • Pelas caridades, não sei quem é pior… quem pede a selfie ou quem atende o pedido!

  • Parabéns!! Muito bem colocada a sua matéria…às pessoas estão perdendo noção da realidade… o bom senso!!

  • Oi Paty! Se me permite colocar aqui alguns pensamentos que tive quando fiquei sabendo do fato é: 1) por mais dinheiro, fama, saúde, etc., que uma pessoa pode ter, ela vai morrer. Independente da crença, para onde ela for, não haverá títulos, dinheiro, poder, etc. O que valerá serão as obras/caridade praticadas, sua modificação interior, que serão levadas em conta. 2) Pq morava em outro país? Tinha medo da violência/insegurança do nosso? Não adiantou nada. Morreu do mesmo jeito. 3) Se morava em outro país, pq cargas d’água será enterrado aqui? Pq não lá tb? Na minha opinião, quem deixa seu próprio país para viver em outro, tem que ser enterrado lá tb. 4) Ele não tinha dinheiro para pagar alguém para fazer esse serviço? 5) Sua morte não alterou em nada a minha vida. Eu não assisto TV aberta e não estou nem um pouquinho interessada na vida de nenhuma celebridade, por mais que eu admire sua competência. Estou interessada na minha vida, nos problemas que tenho que resolver, no meu filho e acabou!

    Detalhe importante: AGORA SIM quitei TODAS as minhas dívidas! Até a do meu irmão! Como estou desempregada e o carro era muito velho e estava voltando a quebrar a toda hora, decidi vender, paguei meu irmão e agora posso recomeçar de cabeça erguida e consciência tranquila! Muito obrigada por toda ajuda que tem me dado até hoje!

    (PS: vc e meu filho tem dentro de si o mesmo desejo: despertar as pessoas. Fazê-las pensar. Infelizmente, cada um desperta a seu tempo. O importante é que as sementes estão sendo lançadas! Se nem Jesus conseguiu convencer a todos, imagine nós! Fica com Deus!)

    • Oi, Paty!
      A verdade é que as pessoas dão valor ao que se vê e não ao eterno. Pensam apenas na vida e não na morte.
      Fico MUITO feliz que vc tenha zerado as dívidas!! Parabéns, Paty! Beijos

  • Patrícia, esse episódio me lembrou de uma outra comoção. Esse ano quando a catedral de Notre Dame pegou fogo, todo mundo compartilhava nas redes sociais uma foto da pessoa em frente ao monumento, acredito eu que para mostrar que já foi a França e que também estava desolado com a tragédia. Uma conhecida minha postou uma foto de uns 15 anos atrás, digitalizada e eu fiquei imaginando essa pessoa indo catar num álbum a foto só pra não ficar de fora da comoção coletiva rsrsrs.

    • Exato… mas quando o nosso museu do Rio pegou fogo as pessoas se limitaram a xingar o prefeito. 🙁

  • Somos duas! É por isso que leio seu blog, vejo seus vídeos, faço meus investimentos, não tenho nome sujo e já tenho proventos! E sinceramente, lamento situações tristes, mas não reposto, porque não é meu trabalho reportar a vida ou a morte dos outros. ‘ Bora fazer nossa parte bem feita que o sucesso é garantido!

  • Muito bem apontado!
    Nos últimos dias, esse não era um assunto que eu buscaria saber mais a respeito, mas era quase impossível não ficar sabendo ou lembrar dele, tamanha a “comoção” na mídia e redes sociais.

  • Paty,
    Minha família é meio rachada entre a parte “rica” e a parte “pobre”, digamos assim. Teve uma família dessa ala que não foi convidada para o encontro de final de ano da família, o primeiro que foi feito. Fiquei indignada!
    Detalhe: há pouquíssimas ou quase nenhuma foto dessa família entre nós, todos convivem pouco com esse meu tio e seus filhos, ele é muito reservado e como a família é grande e encrenqueira, ele se mantém bem distante também das confusões.
    Aí, um de seus filhos, meu primo, descobriu um câncer e, de repente, o Facebook se encheu de fotos com ele DOENTE. Cada vez que iam visitá-lo era uma foto diferente. Fiquei muito p da vida.
    Ele morreu esse mês, inclusive, novembro. E aquela enxurrada de fotos com ele, todas recentes e todas dele doente pois como falei, ele é da parte ‘pobre” da família. Não há fotos dele em momentos felizes em nenhum álbum da família, nenhuma festa de casamento, aniversário, praia, passeio, nada.

  • Esse blog além de ter muito conteúdo nos posts, também tem nos comentários das blindetes❤

  • Excelente. Foi até vergonhoso o sensacionalismo dos últimos dias.

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