Tudo é volátil, líquido e volúvel em uma sociedade que diz saber tudo, mas que no fundo, se perde cada vez mais nas próprias incoerências.

Este post primeiramente foi publicado na minha coluna do R7. Acompanhe.

Vindas de uma infância de superproteção, as pessoas que atingiram a maioridade na década de 2010 são classificadas como geração floco de neve.

Ao mesmo tempo que afirma ser empoderada e bem-resolvida, essa é a geração mais instável emocionalmente de que se tem notícia.

O termo foi criado por Chuck Palahniuk, autor de O clube da Luta, se referindo ao fato de que:

“Ninguém é especial, ninguém é um floco de neve”.

Isso porque nenhum floco de neve é igual ao outro, cada um deles é único e especial, ao contrário das pessoas, considerando o fato de que nenhum de nós é melhor do que o outro.

A questão é que essa geração está assumindo posições estratégicas na política, no mercado de trabalho e em todos os demais setores da sociedade e, assim como são instáveis, voláteis e confusos – uma vez que percebem não ter os superpoderes que seus pais disseram que tinham – boa parte de suas ações são tão incoerentes quanto seus pensamentos.

Não deveria ser necessário dizer que isso é uma generalização, e que obviamente não se aplica a todas as pessoas dessa geração, porém, esta é outra característica dos flocos de neve:

Impor a todo mundo a necessidade de explicar o óbvio, pois podem se ofender profundamente por tudo e por nada.

Para citar todas as incoerências que temos testemunhado de uns tempos para cá seria necessário desenvolver uma série de textos que, honestamente, poderia nos desanimar da vida em si.

Portanto, vou me ater a apenas alguns pontos que dão uma pequena amostra da bipolaridade dessa sociedade que se diz moderna e avançada.

 

Nem Freud explica

Testemunhei, com muita tristeza, relatos de pessoas que são a favor apropriação de imóveis que, segundo alegam, não cumprem sua “função social”.

Conversando com uma dessas “adultas floco de neve”, ela me disse:

Querida, você é tão inteligente, mas ao mesmo tempo tão bobinha… Deixa eu te contar uma coisinha, ‘amore’: nem todo mundo herdou uma casa e bastante dinheiro como você, sabia? Se nós não invadirmos, nunca teremos onde morar com dignidade, entendeu agora, ‘migue’?

Respirei fundo e respondi:

O que eu não entendo é de onde você tirou a ideia de que eu herdei alguma coisa. Sou filha de um alcoólatra que não me deixou absolutamente nada, a não ser a vergonha de pedir dinheiro emprestado para pagar seu próprio enterro. Tudo o que tenho é fruto de trabalho árduo, então, se uma ‘ninguém’ como eu foi capaz, por que você não seria?

Ela simplesmente não sabia o que dizer e, ao mesmo tempo que afirmava que também podia vencer na vida, que era inteligente, talentosa e empoderada, dizia que se o governo e a sociedade não a ajudassem, não chegaria a lugar algum.

E questionava:

Meu, se tem uma casa ali, linda, enorme, com quarto sobrando, empregados e ‘pá’, por que eu não posso morar lá? Me explica, cara!

Acho que nem mesmo Freud explica…

É realmente muito triste ver pessoas adultas pensando, falando e agindo como crianças mimadas.

E é mais triste ainda saber que são assim por terem crescido em um mundo fantasioso onde – ainda que com a melhor das intensões – os próprios pais erraram a mão ao quererem ser o deus de seus filhos.

O saldo dessa operação tem sido bastante negativo, mas até mesmo pela minha própria história de vida, creio que todos nós podemos fazer o nosso destino, ainda que tudo jogue contra.

É possível que a geração floco de neve se torne resiliente, forte emocionalmente e, de fato, empoderada.

Apesar de tudo, tenho fé de que isso pode acontecer.

Até porque, o que mais nos resta a não ser ter fé?

 

Nos vemos amanhã!

 

Confira o post anterior clicando aqui.

 

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

 

Jornalista, especialista em finanças e autora de 5 best-selleres. Colunista do portal R7 e apresentadora do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

  • O deus mercado é implacável.
    Quem lacra pode até lucrar mas até certo ponto. Os supermercados estão substituindo produtos de marca por linha própria. Muitas empresas que nossos pais trabalharam não existe mais. Essa galera vai ter que ralar muito.
    E os adolescentes de 40, 50, 60 anos vão amadurecer ou espernear de vez depois que o avô ou pai morrer e não tiver mais a aposentadoria dele pra dar uma ajuda no aluguel e quando a mãe morrer não vai ter mais onde deixar os filhos e aquela jantinha grátis já que não sabem cozinhar. Essa geração imensa que nasceu entre 1930-1950 de famílias numerosas e que está protegendo filhos, netos e até bisnetos está passando. Só eu tenho uns 20 tios. A fonte vai secar.

  • vejo nitidamente na minha família o que diz sua postagem. Eu e minha irmã, que nos tornamo adultas na década de 2000 somos resilientes, fortes, temos objetivos e vamos a luta para conquistar nosso espaço. Já meu irmão, que se tornou adulto na década de 2010, é totalmente o oposto. Acha que todos tem a obrigação de suprir as necessidades dele, não tem objetivos claros de vida e no primeiro obstáculo entra em crise de existência e infelizmente o resultado disso é o vício das drogas. que possamos identificar esse erro na geração de nossos filhos e corrigir, antes que as próximas gerações continuem “ladeira abaixo”.

  • Bom dia querida! Tenho filhos e sobrinhos nesta faixa de idade, que vai dos 20 aos 36, tds com ensino superior, alguns com mestrado, a maioria falam no mínimo 3 idiomas, mas se uma coisinha sair do trilho, já vem a frase: “estou depressivo, preciso fazer terapia”, no meu tempo nunca nem ouvi falar em terapia, eu chamo de geração “nutela”. Deus abençoe essa geração! Um grande abraço. 😍

  • Bom Dia Patricia, essa conversa da adulta floco de neve em outras palavras a grama do vizinho é mais verde e já está pronta pra que se esforçar? O mundo mudou a vida mudou e eles não aceitam a realidade e querem viver do esforço alheio. Cheio de direitos e sem deveres com a familia e a sociedade. Deus nos acuda.

  • Olá Patrícia! Essa abordagem de hoje me remete ao modo de se educar os filhos e, ciente de que esse assunto é de certa forma delicado, venho trazer a letra da música “Rebelde sem causa” da banda Ultraje a Rigor, que considero bastante interessante. Essa música falava do jovem mimado que recebia presentes e até dinheiro para gastar à vontade, que não precisava fazer esforço algum para crescer e amadurecer. Então, na minha opinião, a desinformação da geração floco de neve está na educação desde a infância, período no qual deveria ser ensinado o “não” e o “sim”, como está em Mateus 5,37: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna. Também vale acrescentar o que está contemplado em Eclesiásticos 30, 13: Educa o teu filho, esforça-te por instruí-lo, para que te não desonre com sua vida vergonhosa. Vejo na fé, o caminho para as mudanças necessárias para o desenvolvimento de uma cidadania mais forte, em todos os sentidos. Abraços!

  • Olá, Patrícia,
    Penso em como eu era na adolescência / juventude… e tudo tinha que ser do meu jeito, senão eu pegava a minha bolsa e ao menor sinal de contrariedade deixava tudo para trás…. incluindo aí os excelentes empregos em multinacionais; os pretendentes a esposos; as faculdades não concluídas; os melhores investimentos financeiros…. sim, tudo isso eu perdi… e olha que meus pais não eram meus super protetores, muito pelo contrário!
    Resultado: esforço dobrado para chegar até aqui, a misericórdia de Deus banhando meus dias, meus líderes espirituais servindo de exemplos (demorei, mas entendi que exemplos arrastam e esta é a melhor opção!).
    Sim, a geração “floco de neve” vai aprender, sim, ainda que tardiamente! Enquanto isso, os melhores continuarão chegando ao primeiro lugar mais cedo!!!

  • Ótimo texto! Como mãe de uma quase adolescente de 11 anos, procuro ensinar sobre o amor de Deus, autoconfiança, empatia e resiliência, para que ela possa conquistar seus objetivos e ser uma pessoa util a si mesma e à sociedade como um todo. Vou dizer que tá difícil, com tanto mau exemplo e papo furado por aí. Vejo meu enteado de quase 18 anos perdidinho da silva, sem saber para onde se virar, agora que o ensino médio está quase no fim, e morro de dó, porque sei que a vida vai ensinar o que ele não tem conseguido aprender, de for a bem mais dura.
    Abraço!

  • Infelizmente Patrícia as pessoas são preconceituosas. Elas olham e rotulam. Li o bolsa blindada 1 e pude conhecer um pouquinho da sua história. E é muito motivadora pois mostra dentre vários exemplos no mundo que é possível romper a barreira imposta pela sociedade de que “você nasceu pobre e vai morrer pobre”. Mas além desta ideia errada entranhada nas pessoas, há também o problema que elas querem ter o que você tem, mas não querem trabalhar o tanto que você trabalhou para conquistar o que você conquistou. E ainda pior…depois de todo o trabalho que você teve para conquistar estas pessoas ainda ficam com raiva porque você conquistou e ela não. Se você falar que pode dar uma orientação para que ela consiga um caminho tão bom quanto o seu, provavelmente ela não vai aceitar. Mas se você oferecer um dinheiro mensalmente ela vai querer para o resto da vida. As pessoas ultimamente estão aceitando ser dependentes. Dependentes não somente em uma crise ou em uma situação ruim de vida. Mas passar a vida dependendo que alguém ou da sociedade. elas estão anulando seu potencial e seus talentos para depender de alguma forma. E esta dependência passa o controle de suas vidas para as mão de quem elas dependem,.

  • Nunca tinha ouvido falar em geração “floco de neve”, o que eu tenho a dizer sobre isso é que se cada floco é único, basta um raio de sol pra tornar todos iguais, ou seja uma pocinha d’água…

    Sobre as suas conquistas e existirem pessoas que acreditam que seja herança, devo dizer que julgar o livro pela capa, não fazer a leitura completa dá nisso: conclusões precipitadas, pré conceitos, julgamentos… Pra pessoas que concluem ser herança o fruto de trabalho árduo vou deixar um ditadinho “O povo só vê as pingas que eu bebo, mas ninguém vê os tombos que eu levo”
    Um abraço!

  • Patrícia do céu!!1 você é muito mansa… deu ranço dessa pessoa só de ler seu texto!!!!

    • Essa mansidão é fruto de muita disciplina e misericórdia divina porque eu já fui muito pavio curto!

  • Olá Patrícia!
    É impressionante como as pessoas atacam os outros por não alcançar o que deseja, elas acham que tudo vem fácil ou que a pessoa teve sorte na vida, lembra quando você ganhou aquele apelido de “sabe-tudo” na escola no livro o Sucesso não Cabe na Bolsa? Você nos conta como foi se destacar na escola em aprender com mais facilidade que os outros, as pessoas não entendem que tudo isso é fruto de dedicação e esforço, acham que tudo vem fácil na vida. Como sou dessa geração sei bem como é difícil para ter as coisas, nossos pais não tinham condições de dar aquela boneca tão desejada ou aquela festa de 15 anos que era o sonho de toda mocinha, as coisas tinhas valores por ser difícil de conquistar e isso nos motivou a correr atrás de tudo na vida, porque sabíamos que se não fosse assim nunca iriamos ter, chegará o tempo que essa nova geração também descobrirá o valor das coisas e o verdadeiro sentido para conquistar cada um dela, que eles possam ter o mesmo resultado que tivemos.

    Grande abraço.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *