Para entender o presente, às vezes é preciso voltar ao passado e é exatamente o que vamos fazer hoje em relação à “criação” da verdade.

Criando a verdade de cada um

Lendo o livro de Gênesis e acompanhando a novela de mesmo nome na Record TV, conseguimos compreender que o mundo não é tão moderno assim.

Ainda que pareça que alguns modismos surgem “do nada” e tratam-se de coisas novas, na verdade não são.

O comportamento humano é previsível, cíclico e praticamente não muda ao longo da história, afinal de contas, humanos eram e continuam sendo humanos.

 

Veja o caso de Raquel, mulher de Jacó, descrito em Gênesis 30:1-6:

Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, se não morro.
Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel, e disse: Estou eu no lugar de Deus, que te impediu o fruto de teu ventre?
E ela disse: Eis aqui minha serva Bila; coabita com ela, para que dê à luz sobre meus joelhos, e eu assim receba filhos por ela.
Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a possuiu.
E concebeu Bila, e deu a Jacó um filho.
Então disse Raquel: Julgou-me Deus, e também ouviu a minha voz, e me deu um filho; por isso chamou-lhe Dã.

Vamos entender o contexto:

Jacó tinha duas esposas, Lia e Raquel. Lia tinha vários filhos, mas Raquel não e isso naquela época era um problema enorme.

Visto que a função principal da mulher era ter filhos, as que não tinham eram desprezadas e logo trocadas por outras.

Porém, é muito importante que fique claro que isso estava ligado à cultura da época.

Ou seja, tanto ter mais de uma esposa, como menosprezar as mulheres estéreis foram instituições humanas e não tinham nada a ver com as leis de Deus.

Assim como hoje as pessoas vivem como querem e criam suas próprias regras, naquela época acontecia o mesmo.

Hoje, a mulher que fica em casa cuidando dos filhos é menosprezada e chamada de “Amélia”, mas naquela época era o contrário.

No passado, a mulher que era sustentada pelo marido era considerada bem-sucedida, afinal, ela era honrada por alguém que a valorizada tanto a ponto de se sacrificar todos os dias para não deixar que nada lhe faltasse.

Mas hoje, nós mulheres somos ensinadas desde criança a não dependermos de “vagabundo” nenhum, enquanto os homens são ensinados a não sustentar nenhuma “interesseira”.

Portanto, repito: esse tipo de “regra” é instituída pela sociedade e não tem nada a ver com as leis de Deus. Não é à toa que vivemos numa tremenda bagunça…

 

A verdade mentirosa de Raquel

Como se nota na passagem, Raquel estava desesperada por ser estéril e, mais ainda, por ver que a irmã Lia era fértil.

Ela estava sendo desprezada pela sociedade e ainda por cima nutria muita inveja da irmã.

Com as emoções em alta, qual foi a saída de Raquel? Depender de Deus? Não, ela “criou” uma “verdade”que só existia na cabeça dela.

Ela deu um jeito de “ter filhos” por meio de outra mulher (e você achando que barriga de aluguel era coisa dos anos 1990 quando a Globo lançou uma novela sobre o assunto…).

Mas a pergunta é: o filho que a serva deu ao marido era dela? Óbvio que não!

Ela o tinha nos braços, mostrava a todo mundo e ainda dizia: “Deus ME deu um filho.”

Não, Deus não deu nada a Raquel e essa história foi fabricada na cabeça de uma mulher desesperada.

E não é isso que vemos hoje?

Pessoas que vivem na base da emoção, que fazem tudo pelo que querem e dão um jeito de conseguir o que os outros têm a qualquer custo.

E, depois, mesmo sabendo tudo o que tiveram que fazer, criam “verdades falsas” só para não se sentirem por baixo.

Diante disso, todo mundo olha para elas – sabendo que nada daquilo é real – mas entram na onda para não arrumarem confusão.

“Deixa, coitada… ela já sofreu tanto por ser estéril. Deixa ela vier a fantasia dela!”

Essa deve ter sido a fala mais comum naquela época sobre Raquel e é o que vemos igualmente hoje em relação a toda essa mentira que o “politicamente correto” impõe fingindo que é verdade.

Porém, a verdade é absoluta e tudo o que não é verdade é mentira.

Meia-verdade é uma mentira inteira.

 

Nos vemos!

 

Confira o post anterior clicando aqui.

 

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Jornalista, especialista em finanças e autora de 5 best-selleres. Colunista do portal R7 e apresentadora do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

  • Eu to pegando um ranço de uma turma que tá sequestrando o tema da saúde mental nas redes sociais e só a verdade deles é a verdadeira. Ficar menos tempo curiando a vida dos outros na internet, isso eles não fazem. Além de atrapalharem um tema sério como esse.

  • Olá Patrícia, boa tarde! Falando em “criar a verdade de cada um”, me fez lembrar um ditado popular sobre “de pequenino é que se torce o pepino”. Diziam que os agricultores retiravam os “olhinhos” dos pepinos para que se desenvolvessem melhor e adquirissem um sabor mais agradável. Não sei se atualmente aplicam esse método (rs…rs…). Bem, “mal comparando”, minha mãe alertava que na educação dos filhos, precisava aplicar a “técnica dos agricultores dos pepinos”, para que pudéssemos desenvolver o hábito da disciplina desde pequenos. Gostaria de acrescentar o que está em João 3,21 “Mas aquele que pratica a verdade vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus.” E, ainda o que consta em João 8,32 “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Abraços!

  • Que post!! Uma história que tem tudo a ver com nossa realidade.

  • Certamente, Patrícia. Querendo atingir os objetivos pessoais a qualquer custo, o ser humano cria suas próprias “verdades”, para justificar-se diante dos outros, e como boa parte das pessoas vivem na base de sentimentos e não de inteligência, aceitam essas “verdades”, apoiam e até propagam, criando um círculo vicioso de maus hábitos e maus comportamentos, que a cada ano que passa vão se enraizando mais e mais a ponto de as pessoas não saberem nem mais discernir o que é certo ou errado, ou ,o que é verdade ou mentira. Daí vemos essa bagunça, o mundo virado de ponta cabeça. Bom seria que a humanidade olhasse para dentro de si com humildade, e procurasse aprender com os erros dos outros e com os próprios erros para não cometê-los mais, que escolhesse o bom caminho. Contudo sabemos que isso só é possível quando o ser humano se volta para o Seu Criador, para o Criador de todas as coisas, e decide andar de acordo com os Seus ensinamentos, de acordo com a Sua Santa Palavra, só assim o ser humano consegue viver uma vida real e verdadeira; sem fantasias e alucinações, uma vida de boas escolhas e boas decisões. Abraços!!

  • Tudo o que acorreu naquela época se repete na atual, o diferente é o que temos em mãos, a favor de tudo e de todos que é a tecnologia…. como dizem no momento ” O golpe está aí, cai quem quer”.

    Obrigada.

  • Boa tarde querida! Pois é ñ existe mentirinha santa, mentira é mentira em qualquer contexto.
    Eu assisti José do Egito na Record, muito boa, eu lembro da história de Raquel. Tem um poema de Camões que ele cita Jacó, Raquel e Lia, as filhas de Labão. 🤗

  • Pois é, tem muita gente se enganando! Principalmente as mulheres que acham que casando vão mudar o companheiro mulherengo, viciado e etc, enquanto vivem uma vida de mentiras e sofrimento!

  • Boa noite Patrícia!
    Pensa em uma pessoa que está vendo exatamente isso.
    Comparando o que aconteceu com tudo que continua acontecendo.
    Que bom que a gente amadurece e consegue ver certos defeitos e vai tentando corrigir,
    pois sabemos como Deus cobrará essas mentiras.
    As leis Dele são imutáveis.
    Estejamos atentos àquele que vive rondando nossos passos: “a serpente que por pouco pegou o Terá”. rsrs.
    Beijos!

  • Olá Patrícia!
    A minha verdade não é a verdade do outro, teve um tempo que acreditei nisso, igual como você falou: “Deixa, coitada… ela já sofreu tanto por ser estéril. Deixa ela viver a fantasia dela! ” Só existe uma verdade e as pessoas encobrem suas mentiras em uma falsa verdade, é mais fácil resolver o problema dessa maneira do que lutar e conquistar uma solução cabível diante da situação. Raquel só viu o que a outra tinha e não olhou o quanto era amada por Jacó, é o que acontece na vida, as pessoas só ver o que não tem e fazem de tudo para conseguir, mesmo que coloque em risco o que tem de valor, deixam o que tem de real para viver uma ilusão, acreditando nas suas próprias mentiras, e ainda conquistam muitos seguidores.

    Grande abraço.

  • texto perfeito e reflexivo, Patrícia
    hoje pela manhã meditei sobre LIA… estou estudando sobre essa grande mulher….
    Raquel, por outro lado preferiu fazer o que a maioria das pessoas fazem… criar suas próprias regras, sem se importar com as consequências e muito menos, sem se importar com o outro. Com certeza, Raquel nunca pensou nas consequências de sua ordem na cabeça de sua serva BILA que foi usada como objeto de disputa. Atitudes egoístas e sem empatia são comuns em nossa sociedade desde os políticos e atingem todos os demais segmentos, incluindo, pasmem, as igrejas… Então o que fazer?
    eu penso que a disciplina e a postura ética cristã precisa vencer em detrimento dessas “verdades” camufladas e eu devo agir como uma pessoa “sincera” – sem cêra – sem mascaras… porque isso é totalmente possível, apesar de não ser nada fácil. A Bíblia, em Genesis, ainda no inicio de tudo me dá dicas de como fazer isso… olhando para a vida disciplinada de Noé e sua família, Lia, Abraão, Isaque e todos os demais patriarcas e grandes personalidades bíblicas
    que Deus nos ajude nessa escolha!.

  • Bom dia!

    Exatamente isso,não existe meia mentira é mentira completa ou verdade verdadeira!

  • E como sempre a verdade sempre sendo distorcida pelo ser humano que quer que as coisas seja feitas do jeito dele, e sempre esse jeito é o mais correto. Vai falar o contrario?!

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