Desafio detox #13 – Oprimido e opressor, de que lado você está?

Sempre que falo de riqueza surgem pessoas dizendo que o rico é ruim, pois oprime o pobre. Mas será mesmo que o pobre não oprime ninguém? Surpreenda-se com o post de hoje!

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Li ontem o texto de uma amiga muito querida, a jornalista Inahiá Castro e, na hora, me veio a ideia de dividí-lo com vocês aqui no blog. Esse é um assunto que vira e mexe aparece por aqui e que também incluí no meu novo livro sobre sucesso – em breve vou contar tudo para vocês! 🙂

POBRE OPRESSOR

“Numa dessas noites de chuva e caos no trânsito de São Paulo, eu estava no ônibus já há dois pontos da minha casa. No cruzamento da Av. Rio Branco com Av. Duque de Caxias, o ônibus tinha acabado de fechar as portas depois de pegar passageiros no ponto que há ali, mas continuou parado, no sinal fechado. 
Nesse momento, duas senhoras acabavam de atravessar a avenida correndo, na chuva, e dando sinal para ele abrir a porta, o que ele poderia – e deveria – ter feito, já que ainda estava no ponto. Mas, não, ele preferiu acelerar, aproveitando o sinal, que acabava de abrir.
O desânimo, nervosismo e humilhação nos rostos daquelas senhoras eram inversamente proporcionais à satisfação e sensação de poder estampadas nas feições do motorista, que segurava o câmbio com a altivez de um rei segurando seu cetro.
Pobre oprimindo pobre.
Então, quando assalariados, subjugados querem eleger opressores e ditadores não é apenas porque estejam desesperançosos com o sistema, mas principalmente porque se identificam e reproduzem seus métodos.
O poder é assim, seja atrás de um volante de ônibus ou de uma mesa presidencial, inebria quem é mau caráter.”

Mas o que isso tem a ver com o desafio de hoje? Tudo!

Observe se no seu dia a dia você não tem, de alguma maneira, agido de forma a oprimir as pessoas que dependem de você. Comigo já aconteceram diversos casos, como:

  • Recepcionista de prédio me deixar esperando de propósito, porque percebeu que eu estava com pressa e decidiu que iria me atrasar ainda mais (afinal, quem está com pressa que saia mais cedo, não é mesmo?). Eu tive que ligar do meu celular para a pessoa que me aguardava, avisando que estava “presa” na recepção;
  • Vendedor dizer que não tinha um produto que estava entre mim e ele, simplesmente porque decidiu não me atender naquele dia (eu atrapalhei chegando bem na hora que ele estava resolvendo um assunto particular no WhatsApp…). Como eu precisava do produto, peguei por minha conta e fui direto para o caixa (o que o deixou bem nervoso porque a ideia era me fazer sair sem nada e ter que ir em outra loja!);
  • Gerente de banco sair para almoçar no meio do atendimento. Sim, ele me pediu “um minuto” enquanto me atendia e, depois de não ter voltado nos 20 minutos seguintes, fui perguntar onde ele estava e a resposta foi: “almoçando, ele volta dentro de uns 40 minutos, não se preocupe!” Liguei na ouvidoria do banco para reclamar e ele tomou um corretivo que – espero – não vai esquecer tão cedo;

Mas o contrário também já aconteceu. No meu primeiro emprego, aos 18 anos, trabalhei no RH da Record TV. Um dia, chegou um sujeito super arrogante e gritou que queria a carteira de trabalho dele com a devida anotação de férias. Eu já tinha feito e deveria ter ido entregar, mas deixei lá, pois pensei: “os funcionários que venham buscar, passam aqui ao lado todo dia… não sou office boy para ficar entregando coisas!”.

Como ele gritou comigo, não entreguei e disse que ele deveria voltar no dia seguinte para buscar. Eu quis dar o troco por ele ter sido mal educado, mas isso só o fez gritar ainda mais alto, a ponto de o meu chefe ir ao balcão ver o que estava acontecendo.

Além de eu ter que dar a carteira do camarada na hora (e com o rosto queimando de vergonha da bronca que levei na frente dele), levei mais uma “lambada” quando quis justificar dizendo: “eu não entreguei porque esse sujeito pensa que tem o rei na barriga”. Tive que ouvir que eu estava lá para atender os funcionários e que quem parecia achar que tinha o rei na barriga era eu, achando que podia atender alguém daquele jeito!

Se no seu trabalho as pessoas dependem de você, atenda-as bem. Não as deixe esperando à toa, não dê o troco do seu dia ruim, não queira “mostrar quem manda” e nem devolva o mal tratamento que elas lhe dão, pois isso é uma forma de opressão. Não gosta de ser oprimida? Não oprima!

Tenha respeito mesmo por aqueles que não demonstram respeito, pois a gente só dá o que tem. 🙂

Nos vemos amanhã para mais detox!

Jornalista especialista em finanças, autora do best-seller Bolsa Blindada, colunista do programa Mulheres, TV Gazeta e youtuber.

Categoria: Desafio
  • Luciana Feitosa diz:

    “Se tens algo para dar, não digas ao teu próximo: volta amanhã e te ajudarei “ provérbios 3:28
    Resume tudo.

  • PATRICIA INFANTI diz:

    Paty, isso tudo se resume a uma palavra: caridade. Quando agirmos com caridade, isso não ocorrerá mais.

  • Paula Nunes diz:

    Exatamente o que o texto descreve as pessoas estão numa rotatividade muito grande, se tratam mal a ela, vai e passa adiante, uma verdadeira bola de neve.
    Post muito bom, para nós pararmos e refletirmos sobre nossas atitudes cotidianas.

  • Gisele diz:

    A do rei… serviu em primeiro lugar pra mim depois para os outros…

  • Amanda Gomes diz:

    Sensacional! Sempre digo isso e vou compartilhar. Caráter independe de classe social. Moro num bairro humilde e vejo isso direto: gente querendo “se achar”/ostentar banalidades, gente querendo ganhar as coisas no grito, desrespeitando o espaço do outro e agindo da mesma forma que você comentou. Até a questão do ônibus: passo por isso direto! No ambiente de trabalho vejo isso direto também, infelizmente. Falta empatia, é egoísmo puro. Caráter independe de classe social.

  • Nilza Maria de Moraes Dario diz:

    Gostei demais! Vou aproveitar o texto para uma discussão e debate com meus alunos do Ensino Médio. esse tema dá uma ótima reflexão. Valeu!

  • Sandra Sousa diz:

    Patrícia,
    Achei interessante o seu post, porque eu sou super anticapitalista (rsssss!!), e acho que não vale a pena explicar-lhe os meus milhares de motivos. Mas, para mim é muito claro que todos podemos ser oprimidos e/ou opressores, independentemente da classe social. Aliás, acho até o conceito de “vítima” muito nebuloso, porque frequentemente a própria vítima é conivente com a opressão por muitos motivos. Mas, do meu ponto de vista, existe uma coisa que é irrefutável: a questão da proporção. Uma pessoa que atende mal um cliente, na maior parte dos casos tem um impacto mínimo na vida dos outros, e ainda se arrisca a ser ridicularizado, criticado, despedido, etc., mas isso não alimenta por si só todo o “sistema de opressão”. O rico tem mais poder: é ele próprio que pode despedir -mesmo que nem exista motivo – , pode maltratar com menor chance de sofrer represálias e de ser punido pelos seus atos, etc. E quanto mais rico, mais poder tem para ser ele próprio a produzir e reproduzir as regras do sistema… No outro dia vi uma notícia que dizia que o Bill Gates tinha doado uma grande quantia para vacinas para pessoas de um país muito pobre (não me lembro dos pormenores), e fiquei muito admirada com a quantidade de pessoas a elogiar o sucedido. Claro que para as pessoas que receberam essa ajuda isso pode ter sido fundamental. Mas o Bill Gates é um grande alimentador do sistema que faz com que países não tenham dinheiro para vacinas, então soa-me a uma tremenda hipocrisia (de lembrar que a indústria da tecnologia utiliza muito trabalho escravo, estou a lembrar-me, por exemplo, da extração do cobalto, muitas vezes com trabalho infantil). Claro que ele e outros grandes capitalistas podem sempre alegar que não têm controlo sobre os fornecedores e que cumprem as normas legais, etc. Mas há imensos escapes legais, até porque quanto mais pobre o país, maior a desregulamentação, etc. E parece-me óbvio que se estas grandes empresas quisessem de facto não explorar as pessoas, arranjariam mecanismos (veja-se que estão sempre a deslocalizar a produção para países com mão de obra mais barata…). Claro que pode sempre vir à tona a questão que o pobre ou a pessoa de classe média também beneficia dessa “opressão” ao poder comprar uma máquina ou uma peça de roupa, o que for, de baixo custo… mas é muito diferente comprar uma coisa porque preciso ou tenho pouca possibilidade financeira ou de tempo para fazer uma escolha mais “justa”. Mas, para mim, é sobretudo isso: a proporção. Seriam precisos muitos pobres se juntarem para deter a opressão de um rico. Acho que para quem tem muito dinheiro (com isso poder), ser bem educado para alguém é o mínimo dos mínimos e é muito pouco. E é pouco para o pobre também. De qualquer forma, tudo o que a Patrícia disse é verdade: cabe a cada um fazer o que está ao seu alcance.

  • Ediléia diz:

    Eu trabalho na área de alimentação. Sou técnica em nutrição. Quanto clientes, passaram por mim, esnobando, a alimentação preparada com toda técnica e higiene de alimentação, desprezando os ajudante e cozinheiros, com grande altivez.Muitos ali, se esqueceram que um dia levou marmita para o trabalho, ou nunca tiveram um ticket de refeição. Após saudarmos com bom apetite, nem um muito obrigado.

  • Fernanda Rocha diz:

    Fico indignada com algumas atitudes, mas dar mais corda não vai resolver. O que faço às vezes é fazer um comentário bem direto sobre o péssimo atendimento mas sem levantar a voz e ainda com sorriso no rosto. Se essas pessoas não evoluíram não será nós que vamos dar para trás.

  • Vilma diz:

    A desigualdade de classe social é muito Grande,há uma diferença tremenda entre o rico e pobre,vivo com os 2 lados e o que vejo é que ambientes e comportamentos do rico não tem nada haver com o do Pobre,não generalizando mas,tem rico que não tem um pingo de educação,apenas arrogância e acho que eles confundem.Asdim como tem pobre que a falta de senso de educação passa longe.
    A pergunta é
    “Será que a classe social ou o ser humano estão perdendo seus valores”?

    Trabalho com o público e as vezes fico passada com os comportamentos deles.
    Vamos se avaliar
    Ser pessoas melhores…isso basta!

    Um grande abraço Patrícia.
    Amo seus posts🎀

  • Leticia diz:

    Adorei o post!!! Infelizmente, muitas vezes já agir como o opressor no meu trabalho por acúmulo de funções! Mas mesmo assim, não justifica!!! Valeu, Patrícia;)

  • Gustavo Estevão Ferreira diz:

    Gostei muito do texto! Ele retrata tudo o que eu também penso. Sou funcionário público e me esforço ao máximo para atender da melhor maneira os usuários do meu órgão e fico indignado quando um colega faz o inverso, e trata de maneira desleixada e até mesmo arrogante os que procuram o órgão. Parabéns pelo texto!

    • Patrícia Lages diz:

      Parabéns pelo seu trabalho. Certamente irá inspirar outras pessoas!

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