Abuso financeiro, um tipo de violência – Parte 2

Veja alguns dos casos de abuso financeiro que tenho recebido de leitores e o que fazer para sair dessa situação. Se você está passando ou conhece alguém que esteja sofrendo com esse tipo de violência, chegou a hora de romper esse silêncio.

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No post de ontem você viu alguns dos itens que caracterizam violência ou abuso financeiro e hoje você vai conhecer histórias de pessoas que têm passado por isso. Acompanhe, pois você pode estar sendo vítima desse mal sem nem mesmo se dar conta.

“Meu pai passou em frente a uma fábrica e viu um cartaz com oferta de emprego. Ele me levou até o local e eu fui contratada depois de ter passado na entrevista. Quando recebi meu primeiro salário ele ‘cobrou’ 20% como ‘comissão’ por ter sido ‘ele quem me arrumou o emprego’. Paguei achando que seria apenas uma vez, mas ele tem cobrado a tal comissão todo mês. Além disso, começou a me dar a conta de água e de luz para pagar, pois disse que eu tenho que ajudar em casa. Às vezes ele também me faz ajudar no mercado e enquanto meu dinheiro não acaba ele fica inventando coisas para eu pagar. Minha irmã mais velha ganha mais do que eu e nunca ajudou em nada. Meu pai diz que ela vai casar e sair de casa, então ela tem muitas despesas enquanto eu ainda vou dar ‘prejuízo’ para ele morando lá por mais tempo, pois nem namorado eu tenho ainda… Quero fazer faculdade e até poderia pagar a mensalidade sozinha, mas com o meu pai gastando todo meu dinheiro não tem me sobrado nenhum tostão. O que eu faço uma vez que moro na casa dele?”

Amiga do interior de São Paulo.

Minha resposta: Amiga, enquanto você concordar com essa situação e permitir que seu pai gaste o seu dinheiro ele não tem motivos para mudar de atitude, ou seja, ele vai continuar abusando de você enquanto você permitir. Matricule-se na faculdade e se não for possível nesse momento (pois já estamos em março), matricule-se em um curso que queira fazer. Compre o que você necessita e comprometa o seu dinheiro com o que julgar melhor para si e para o seu crescimento. Ajude em casa no que puder, mas não deixe que ele mande no seu salário, quem conseguiu o emprego foi você e quem trabalho pelo salário é você. Quando ele vir que não tem mais de onde sugar, vai ameaça-la (talvez a ameace até de colocá-la para fora de casa), mas você tem que se impor, pois tem o direito de desfrutar da casa pelo simples fato de ser filha. O que sua irmã pode, você também pode.

“Meu marido me contou que está com o nome sujo por ter feito um empréstimo que eu nem sabia que existia. Agora ele disse que eu tenho que contrair um empréstimo no meu nome para ele poder pagar essa dívida, mas ele é descontrolado e eu sei que vai acabar não pagando. Eu já tenho que arcar com o aluguel e as contas de casa, pois ele não paga e eu morro de vergonha da nossa família descobrir. Ele diz que se eu não ajudar é porque não o amo e que ele vai dizer para a família dele que eu não colaboro. Não quero passar por esse constrangimento, por isso não vejo outra saída senão fazer o empréstimo para ele e tentar eu mesma pagar. Será que existe outra solução?”

Amiga do Rio Grande do Norte

Minha resposta: seu marido sabe que você sente vergonha de expor a situação e vai usar isso contra você enquanto a estratégia funcionar. Em vez de ficar com medo de que ele conte o que está havendo para a família, decida que você mesma vai contar. Não faça esse empréstimo, pois você estará se sujeitando a uma pessoa que não teve responsabilidade nem sequer com o próprio nome e que está fazendo chantagem emocional para comprometer o seu também. Acabe com esse ciclo e exponha-o em vez de ficar com medo de ser exposta. Provavelmente você não vai receber apoio da família, mas vai se livrar dessa ameaça demonstrando que não tem medo. Se ele te ama de verdade, vai respeitar a sua decisão, caso contrário você já sabe o que vem em primeiro lugar para ele…

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Mais uma vez quero indicar o Projeto Raabe para você que está passando por uma situação de abuso financeiro (bem como outros tipos de violência contra a mulher) ou conhece alguém que esteja enfrentando esse problema.

 

O projeto atende em todo Brasil, pois conta com diversas filiais. O sigilo é absoluto e você será atendida por mulheres que já passaram por casos de violência e abuso, portanto, pessoas que sabem o que é ser abusada, mas que conseguiram virar o jogo. Ninguém melhor do que quem já passou para problema para entender o que você está passando.

Para saber onde encontrar o Projeto Raabe, clique aqui ou escreva [email protected] esse silêncio, peça ajuda e dê uma virada na sua vida!

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Nos vemos!

Jornalista com atuação no Brasil, Inglaterra, Argentina e Israel. Autora do best seller Bolsa Blindada e palestrante na Universidade de Harvard.

Categoria: Seus Direitos
  • Danielle Almeida diz:

    Excelente texto me ajudou muito.

  • Mikelly - Maceió/Alagoas diz:

    Bom dia, Paty.
    Sempre estou aqui lendo seu blog, pois recebo notificações em meu e-mail ☺ , e assistindo seus vídeos, estou sempre lhe seguindo ? embora não comente aqui.
    Mas hoje não pude deixar de comentar, é que eu já conhecia o Projeto Raabe desde que começou, mas hoje posso dizer que o meu entendimento se abriu em relação ao Projeto, lendo na expectativa para o lado financeiro, agora a ficha caiu em relação as outras áreas da vida da mulher. Agora entendo o significado de Rompendo o Silêncio.
    Obrigada pelos seus ensinamentos. Bjos

  • Dag diz:

    Mais uma vez agradeço Paty!Seus posts sempre edificam! Foi muito esclarecedor em relação ao Projeto Raabe,que pode nos ajudar de inúmeras maneiras pelo que percebi! Já enviei meu email ao Projeto!

  • Erika diz:

    Gostei muito de ver esses casos. Hoje, com 33 anos, olho para trás e vejo o quanto eu sofri dessa violência. Me formei com 23 anos, com ótimo salário, ajudei minhas irmãs a se formarem também, mas meu salário nunca foi meu. Sempre paguei aluguel, despesas, supermercado e quando comprava algo, sempre recebia aquela olhada torta em casa. Até para estudar tive que fazer a matrícula escondida e qdo fiz um intercâmbio só avisei 10 dias antes da viagem. A gota d’água foi quando meus pais escolheram um uma casa para comprar e eu fiz o financiamento (junto com minha irmã). Usei todo o meu FGTS, paguei 1 ano das parcelas e tinha que ouvir da minha mãe que era para eu resolver minha vida pq aquela casa é dela e se não fosse ela eu não teria estudado. Me mudei de casa, fui morar em outro estado e quando precisei ficar em casa uma noite pra não pegar estrada de madrugada ouvi a seguinte frase da minha mãe: “essa casa não é sua, dorme no caminho ou fique num hotel”.
    Demorei muito para perceber este abuso, porque vem aquele apelo emocional “mas são meus pais, eles me amam” , mas nenhuma forma de violência é aceitável. Hoje, não nos falamos, meu pai ajuda a pagar o financiamento e sei que cedo ou tarde minha mãe vai querer entrar na justiça para reivindicar os “direitos” dela sobre a casa. Foi meu maior erro, mas sei que foram pequenas “colaborações” que eu dava, que me levaram a isso. Hoje, estou desempregada e é meu noivo que me ajuda, não tenho FGTS para aguentar esse sufoco, não tenho ajuda dos meus pais e ainda sou criticada quando penso em vender o imóvel, pq não posso “colocar eles na rua”.
    Me vejo numa situação mais difícil e vi que isso é consequência do que eu não fiz por mim
    Mais uma vez, parabéns pelo post e pelo assunto abordado!

    • Patrícia Lages diz:

      Érika, eu acredito que quem planta colhe. Vc fez o bem e terá sua colheita no futuro. Quanto aos demais, tb colherão o que plantaram. É a lei da vida…

  • Luciana Bodini diz:

    Oi querida Pati!
    achei impressionante esses abusos! acredito q quem pratica o abuso financeiro precisa de oração. Estava pensando, acho q meu pai tem sido vítima disso.
    No caso do meu pai, é assim: nós moramos na casa q é da mãe dele, uma senhora q mora na casa dos fundos, mas pq foi feito um acordo anos atrás, quando a família do meu pai cresceu trocamos de casa com ela, q mora só com 1 filho, pq a casa dos fundos é menor e só tem 1 quarto.Os outros filhos dela são casados e tem condições melhores q a nossa, inclusive acho q todos tem a casa própria. A casa q moramos é de todos, mas só nós q usufruimos.Eles não podem desfrutar do dinheiro da venda, pq moramos lá. Porém, acho q só pode vender depois q minha avó falecer.
    Como não pagamos aluguel, a família meio q começou obrigar meu pai a pagar o convênio médico da minha avó e ajudar a pagar uma cuidadora de idosos. Que eu me lembre, ninguém perguntou se ele podia ajudar. Meu pai não é dizimista e nunca juntou dinheiro pra comprar uma casa. Agora está vendo como poderia sair de lá, e diz: o dinheiro q dou aqui posso usar pra pagar um aluguel. Eu não gostaria q ele tivesse q pagar aluguel. O dinheiro do aluguel poderia ser usado pra pagar algo próprio, pq ele não tera boas condições de pagar aluguel e pagar uma casa em algum momento. Acho q tenho dó de pagar aluguel,rs.
    Gostaria de pedir pra vc ensinar alguma maneira que nós podemos comprar uma casa.Talvez é o problema de outras blindetes tbm. No caso, ele já tem quase 70 anos, e parece q não consegue fazer financiamento na caixa. E eu não consigo ainda pq sou estagiária e ganho bem pouco. Obrigada por sua ajuda!

    • Patrícia Lages diz:

      Vamos falar sobre esse tema futuramente! Bjs

  • lurdiane reis diz:

    Oi dona Patricia,eu faço parte de um grupo da igreja,queria muito que a sra me ajudasse a respeito de propósitos, eu sempre fazia só que agora parei,pois estou toda enrolada queria umas dicas me ajude por favor…

    • Patrícia Lages diz:

      Oi, querida. Seria melhor que vc conversasse pessoalmente com o líder do seu grupo, assim vc poderia passar mais detalhes para que ele possa te orientar da melhor forma. Bjs

  • Sara diz:

    Eu amo suas postagens Paty, vc é muito sabia e objetiva! É cada tipo de conflitos familiares que agente vê hoje, que cada dia que passa eu tenho certeza que esse mundo está de pernas pro ar! Eu mesmo quando completei 18 anos e comecei a trabalhar, minha mãe e meus irmaos dependerem de mim durante quase 1 ano, pois eu pagava as contas de casa e todos desempregados, eu sacrifiquei muito de mim por eles. Tempos depois precisei da ajuda deles e só levei NÃO na cara! Mais o mundo dá voltas, e Graças a Deus só colho frutos de bênçãos na minha vida! Deus não falha e nao desampara aqueles que buscam Ele!

  • Juliana Soave diz:

    Paty ♥
    Parabéns pela iniciativa de falar sobre um assunto tão importante e divulgar o trabalho que realizamos no projeto Raabe. Atendemos muitas mulheres nesta situação e que não tem ideia que trata-se de um tipo de violência. Amei o post, bem esclarecedor.
    Vamos romper o silêncio!
    Um grande abraço com carinho,
    Juliana Soave

    • Patrícia Lages diz:

      ????

  • Paula diz:

    Oi Patrícia. Conheci o método bolsa blindada há pouco tempo. Somente ao ler essa postagem foi que descobri estar sendo vítima desse abuso. Me separei há menos de um mês. Meu marido era agressivo e estúpido e como ganho mais do que ele ele exigia que eu assumisse praticamente todas as despesas da casa e ainda ajudava ele com a parte dele quando ele não dava conta. Ele vivia falando que eu gastava demais e era descontrolada e eu acreditava e me sentia culpada. Tentei por 3 vezes reorganizar as finanças e fracassei, pois cada vez que me reorganizava precisava ajudá-lo novamente e virou uma bola de neve. Finalmente agora depois de me separar descobri que não sou descontrolada. Mas estou endividada pelos empréstimos que fiz nessa época. Até o carro dele quitei. Li o livro bolsa blindada e estou colocando em prática e creio que em pouco tempo irei superar tudo isso e conquistar meus sonhos, comprar meu carro e minha casa. Obrigada por estar me ajudando nesse processo.

    • Patrícia Lages diz:

      Oi, Paula. Agora que vc fechou a torneira vai poder enxugar o chão! Vai dar tudo certo, mantenha-se perseverante e use essa experiência para acertar numa relação futura! Bjs

  • Joselene Lima diz:

    É cada uma que o ser humano tem que passar!

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